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segunda-feira, maio 18, 2020

A Resiliência Diária diante da Esfinge



O ser humano, por mais que se esforce para “ser” humano, diante de ameaças (em suas mais variadas dimensões), acaba sabotado por sua face animal. De repente, o bicho homem se revela  em ferocidade, na sutileza da emboscada,  na busca por um bando, na hibernação temporária para esperar o motim...
Por isso, lidar com gente requer destreza, e, em determinadas situações, uma noção adaptada de sobrevivência na selva.
Isso não é poético, nem motivacional, mas é intuitivo e instrutivo. Quase que uma dica de “sabedoria” para lidar com as esfinges(*) no dia a dia.


(*) A esfinge era um monstro alado com corpo de mulher e leão que afligia a cidade de Tebas. Primeiramente apresentava aos homens o seguinte enigma: “Que animal anda pela manhã sobre quatro patas, a tarde sobre duas e a noite sobre três?” como nenhum dos homens conseguiu decifrar tal enigma, a esfinge os devorava.

quinta-feira, março 22, 2018

A Metade do Caminho



A metade de qualquer caminho é, invariavelmente, um momento de desânimo. Geralmente estamos tão longe de onde partimos, que não mais conseguimos ver o que já deixamos para trás, e nosso alvo ainda não está claramente visível para nos encorajar a seguir. A sensação é de que falta muito para quem já caminhou tanto...
Qualquer caminhada, qualquer coisa com a qual se sonhou, qualquer estrada que seja fruto de uma decisão, de um esforço, de uma busca. O meio entre o que nos falta e o que já temos será sempre uma fase delicada do processo.
Sempre vamos estar na metade de “alguns” caminhos.
As diversas áreas de nossas vidas são como diferentes caminhadas emocionais, profissionais, sociais, etc. Por mais que nos planejemos, nem sempre acertamos ao mesmo tempo a carreira, o amor, a maternidade e o equilíbrio espiritual. Não há como garantir que elas aconteçam simultaneamente, sem conflito.

I stand upon my desk to remind myself that we must constantly look at things in a different way. When you think you know something, try to look at it in a different way (John Keating, personagem de Robin Williams no filme Sociedade dos Poetas Mortos)

Traduzindo, seria algo parecido com o seguinte: “Estou em pé aqui nesta mesa para lembrar a mim mesmo de que devemos constantemente procurar olhar para as coisas e circunstâncias numa ótica diferente. Quando achamos que conhecemos alguma coisa, que tal tentarmos olhar para ela de um modo diferente?


O meio do caminho é propício para conhecer novas opiniões e experiências, ler um livro, ver um bom filme, trazer à memória o trajeto já percorrido, para assim, quem sabe, poder olhar a situação e o caminho de uma diferente perspectiva. A decisão poderá ser de prosseguir revigorado, redirecionar o alvo ou simplesmente desistir. 

O ideal é que qualquer decisão não seja fruto do cansaço, da solidão, nem do egoísmo de quem acredita só no que está vendo, na visão de uma única janela. Haverá sempre diferentes perspectivas. Às vezes, pode ser simplesmente ouvir o outro, compartilhar uma ideia ou uma boa e restauradora noite de sono.

Seja qual for o momento da vida, o trecho da estrada, é imprescindível buscar entusiasmo. (No grego, de onde se deriva, entusiasmo é enthusiasmós. Ela se compõe de três partes: en (em) thu (abreviação de theós=Deus), e mos (terminação de substantivos). Entusiasmo significa, portanto, ter um Deus dentro, ser tomado por Deus. Não é uma intuição fantástica?
Por mais banal que possa lhe parecer uma atividade, quando você se abre positivamente a respeito, buscando o olhar menos óbvio e cansativo, você é invadido por uma plenitude espiritual que traz paz, que te entusiasma, dá voz a Deus em você.


De repente, você está se desanimando, e pode estar na metade de onde pode chegar... Ah! Mas é só a metade?! Pode ser, mas é um caminho.  Preste atenção, mude o foco, e entusiasme-se!  

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Sobre Tormentas...


As tormentas não são simples fatalidades para nos causar medo e desespero. Elas são fenômenos, processo vivo da constante atividade da natureza. Faz parte. Ou seja, se o meu barco está no mar, devo contar com tormentas.

É certo que em meio a toda imensidão cósmica, somos poeira; e se quisermos fazer valer o fôlego mágico de vida que nos eleva um pouco além da poeira, devemos aprender com tempestades e bonanças, e continuar remando, certos de que - quer tragados,  náufragos ou ilesos, os remos estiveram firmes , o horizonte foi contemplado e  o fim... Ora, o fim sempre vem. Mas..... Há uma esperança teimosa que nos alimenta, e que não se resume ao que por aqui se encerra.

Com o fôlego de vida, parece que recebemos uma intuição de eternidade, e esta intuição é como uma águia que voa alto quando há tormenta: Elas sabem que acima das nuvens escuras, dos ventos e das descargas elétricas, brilha o sol.

Portanto, a cada novo amanhecer, lembremo-nos que as tormentas e o fim são inevitáveis, mas a fé é esta intuição de eternidade, e que ela tem olhos de águia!

quarta-feira, março 29, 2017

Pequenas Fatais Distrações



Muitas vezes, nossa chance de salvar o mundo está bem do nosso lado, e não percebemos, ou, talvez até percebamos o que temos ao nosso lado, só não mensuramos o valor real dessa relação no futuro.
Nossos lares estão repletos de oportunidades de salvar o mundo, mas geralmente é um trabalho emocional árduo e sem prêmios materiais que nos coloquem em exposição para reconhecimento popular, com glórias pessoais, que alimentem nossa vaidade, sem  algum desconforto,
Tenho conhecido muita gente que frequenta voluntariado em Instituições filantrópicas, que defende causas de minorias ou escreve livros repletos de teorias sobre relacionamentos saudáveis, mas que não validam essas teorias, nem refletem  seus supostos engajamentos pessoais dentro de casa.

Qual é a vantagem de conquistar tudo que se deseja e perder a si mesmo?” - Bíblia A Mensagem:

Quem se perde em família, está perdido.

No exercício do livre arbítrio, o homem se distraiu no próprio cuidado, ou no cuidado com o próximo, e foi ludibriado pela sede de poder e de conhecimento que aparentemente lhe oferecia a chave mágica e ilusória do sucesso, acreditando que este seria o caminho mais fácil para uma vida abundante de felicidade. Só que, aos poucos, isto se torna  uma bola de neve a caminho do precipício.
Acredite, por mais que isto lhe pareça um devaneio, não é.

Eu apostaria dizer que todo desequilíbrio do mundo que ora se evidencia em corrupção, violência e desvio de comportamento (de todas as ordens) começou microscopicamente numa distração emocional isolada, consigo ou com o outro.
Antes de alguém usurpar o poder que não lhe pertencia ou de praticar suas primeiras injustiças, fatalmente este alguém deve ter se perdido em suas referências espirituais, emocionais, humanas, e acabou buscando compensações e inspirações erradas. Alguém deixou de prestar atenção nele, e ele, inevitavelmente, também parou de prestar atenção em si...O que sobrou? Feridas.

Enquanto corremos desesperadamente atrás do sucesso, fingindo ser o que não somos,  mascarando situações e percepções, estamos fugindo da solução, e, sem nos darmos conta, estamos passando para quem amamos o bastão de uma corrida cansativa e frustrada para um alvo errado!
Nossos filhos, nossos pais e todos os que nos amam não precisam do nosso marketing pessoal, nem da nossa cartilha de regras falidas para uma sobrevivência saudável e feliz. Eles precisam de nós, inteiros, em erros e acertos. Com o coração aberto para o amor e para o perdão.

Não podemos negligenciar nossas relações. Preste atenção nas pessoas.  Não se distraia. Cuide do jardim à beira do seu caminho. Relações transparentes e lares estruturados são  sementes de onde germinarão indivíduos fortes, com atitudes capazes de construir relações sólidas e uma sociedade melhor no futuro. Muitas vezes, o milagre começa num simples render-se.

Ao contrário do que diz a poesia da música, eu não acredito que o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraido. ;)


segunda-feira, dezembro 19, 2016

Não me conformo!

V




Perdoem a imagem :(

Se eu olhar para Aleppo e achar que a vida se resume ao que vejo, teria que desconsiderar as lágrimas que me vêm aos olhos, a dor que me aperta o peito, a aflição que me incomoda o espírito...
Não é possível!  Mil vezes: não é possível!
Uma divindade não seria tão tirana e sádica! Se assim o fosse, não me capacitaria com emoções que me parecem clamar por um propósito maior!

Um corpo que respira, anda, fala, enxerga, ouve, e come, é um corpo que cumpre o papel de existir. Mas uma alma que dentro dele dói, arde, questiona, chora, reflete, se entristece e não se conforma, isto é uma vida!
E não fomos colocados aqui para apenas existir!

Não tenho “a” resposta, mas não me conformo!
Prefiro reconhecer que realmente NADA SEI, e não me cansar de pedir por socorro, do que me acomodar na postura pretensiosa de um ateu.
Eu creio. Só não entendo... E choro muito por não entender.


Não tente me explicar, porque tenho para mim que a poesia bíblica registrada em 1 Corintios 13 já disse o que tinha para ser dito...

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”


Sigo nesta esperança. E sigo chorando, inconformada.


terça-feira, outubro 11, 2016

Escolha Uma Vida Abundante


Se algo é verdadeiro, honesto, justo, amável, bom, se há virtude e se merece seu reconhecimento... Já está dito! Pode escolher e continuar, pois muito provavelmente deverá te fazer feliz. O contrário é legítimo: Se algo é mentiroso, desleal, cruel, injusto, indigno e mesquinho, também já está dito! Então, qual é a sua dúvida?!

Quanta gente infeliz e oprimida, com suas vidas à sombra de promessas humanas, à espera de milagres que limitam a ação divina à palavra de uma liderança ou a respostas sobrenaturais acompanhadas de eventos que beiram o ilusionismo...

A religião acaba manchando sua missão maior quando espalha noções de certo e  errado vinculadas a dogmas e culturas, e incentiva uma vida de devoção à mecanismos “chamados” espirituais que só se revelam impulsionados por sacrifícios pessoais, e que são vendidos como benefícios não desfrutáveis em vida. Ou seja, vidas emocionalmente despedaçadas, que persistem agonizando seus esforços para restaurar situações e histórias que não mudam!

Qualquer que seja a plenitude da experiência pós vida, seu formato ainda não nos foi denotativamente revelado, e toda nossa esperança a este respeito define nosso modo de viver, e não de “deixar de viver”! O tempo de ter vida abundante é agora; e a voz de Deus sobre nossos problemas, escolhas e decisões não ressoa só no sublime, mas nas evidências diárias da sua presença entre nós, e em nós.

A gente pode esperar para realizar um sonho, mas não para ser feliz ou para ter paz. E não existe conselho espiritual, místico, esotérico, ou o que for, mais confiável que as evidências que nos aprisionam e agridem todos os dias. Como disse Caetano, Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é; então, porque não agir confiante nesta evidência simples e poderosa?

Hoje é dia de tomar decisões que nos tragam paz e bem estar, que nos revigorem e nos renovem a esperança.

A gente é feliz quando consegue desfrutar do livre arbítrio com a serenidade de quem se reconhece dentro de um plano maior, e que entende que, por isso mesmo, a grandeza de suas perspectivas e propósitos de vida serão inevitavelmente reflexo e projeção de conceitos que transcendem a superstição e a intolerância. Não tem como errar! Decida e siga em frente. Vou repetir, para ajudar:

Se algo é verdadeiro, honesto, justo, amável, bom, se há virtude e se merece seu reconhecimento... Já está dito! Pode escolher e continuar, pois muito provavelmente deverá te fazer feliz. O contrário é legítimo: Se algo é mentiroso, desleal, cruel, injusto, indigno e mesquinho, também já está dito! Então, qual é a sua dúvida?!

Ah! e “não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34)

quinta-feira, junho 18, 2015

Um Olhar Passional

O ser humano é livre, suas ações e reflexões idem!

Cada pessoa traz consigo lembranças, histórias de alegrias, tristezas, traumas, medos, frustrações, etc., e cada um se relaciona com isso a seu modo.
O aprendizado também é diverso, como as ações resultantes de suas experiências. 
Assim, por mais que estejamos olhando numa mesma direção, nosso foco e  interpretação da vida (que é o que gera nossos sentimentos e impressões) não serão os mesmos, e isso poderá não ser igual também numa mesma pessoa ao longo de toda a vida. 

Reconheço que sou passional em relação a vida.
Há coisas que minha razão não consegue explicar com total compreensão, mas, sobre estas coisas, sei dizer que me queimam o peito, me aceleram o pulso, me levam às lágrimas, me roubam o sono... São, em sua maioria, coisas relevantes para mim, mas que não estão na lista de reflexão de todas as pessoas.

Acho bom quando as diferenças nos desafiam, e acabamos nos percebendo alguém melhor, vendo a relação com o outro andar, crescer, sendo boa pra todo mundo.
Agora, gente diferente que não quer sair do lugar? Que não nos persuade, não nos impulsiona, não se move, e nem nos move?! Isso realmente é diferente de mim e é indiferente p’ro mundo! É gente que não abre a janela da alma! 

Não sou tão antipática assim... Gosto de pessoas de todos os tipos, e acredito que a diferença é uma benção para os relacionamentos. Só não me faz feliz seguir ao lado de gente superficial, que se limita no que vê a sua razão, e sonha sempre no singular da realidade. Isso n
ão me parece emocionalmente saudável.

Gente passional é assim mesmo. Difícil de conviver. Como eu! :)


sexta-feira, março 20, 2015

Queria Saber como é ser diferente....



Não quero mais a pretensão das minhas teorias. Elas nunca se aplicam à realidade dos outros, e, na prática, acaba sendo frustração.
Eu sei... Vai ser difícil lutar contra meus "achismos", afinal, eles já estão impregnados no meu jeito de ser; mas eu queria tentar.
Queria tentar mais despojamento e menos "análise das situações", uma certa dose de  descompromisso, menos impressões, menos considerações... Talvez  trouxesse  maior leveza nas relações.
Olhando ao meu redor, fico imaginando se não conseguiria ser intensa e profunda sem imprimir tanta responsabilidade naquilo que pode simplesmente acontecer por conta do acaso. Queria aprender de verdade que não dou conta de me carregar assim, tão densa.

Queria praticar o ¨laissez faire,laissez passer,le monde va de lui-même"

Vou tentar. Não sei se vai funcionar. Sinto que o maior obstáculo que vou enfrentar serei eu mesma...  Mas não é assim que a gente vive? Numa batalha diária contra o "EGO"?  Ah, não?!?!?  Xiiiii De cara, minha premissa é errada? Definitivamente, isso não vai dar certo!

Desisto.

terça-feira, agosto 26, 2014

O Propósito da vida tem um solo fértil...

Hoje, assisti dois filmes, com enfoques diferentes, mas dentro de uma mesma temática:  vida, sofrimento, morte, fé  e eternidade.  
Não classificaria nenhum dos dois com cinco estrelas, mas serviu para, no meu tempo livre, refletir sobre esta inevitável “agonia” de todos nós. Quanto mais ”madura” fico, mais dedico tempo para reflexões do gênero. Fato. Mas também percebo que fico mais flexível. Isso deve ser bom...

Ateus, agnósticos, beatos, consolados, esclarecidos, enfim, ninguém pode afirmar-se  100% dono da verdade (tudo bem que alguns estão quilômetros de distância da razoabilidade de uma, mas não vem ao caso.) Aqui, não me refiro a fé pura, simples e profunda,  que eu projeto inclusive (e principalmente) nas minhas dúvidas, e que me traz paz que excede o entendimento restrito humano. Refiro-me a tudo que a temática religiosa envolve.

Resistir ao desconhecido, numa vã tentativa de negá-lo,  ou  rotular-se como dono de todas as respostas,  da revelação sobre todos os mistérios e toda ciência,  mostrando-se sábio aos nossos próprios olhos, faz de nós solos  compactados, sem porosidade, que só servem  para ser cimentado.
O reconhecimento ou constatação de nossa  insignificante proporção diante da grandeza da vida não nos impede de grandes feitos, pelo contrário, nos deixa leves, como um solo arado, exposto aos raios do sol, sensíveis aos nutrientes , e férteis para a semeadura. Não deveria haver terra árida ao nosso redor, se fizéssemos jus ao propósito da vida.

Os grandes filósofos que tanto questionaram a existência  serviram mais de adubo para a humanidade e para sua transcendência que qualquer radical desnutrido -  quer se auto proclamassem do lado de Deus (do bem) ou de qualquer outro lado.

As grandes questões sobre a vida  perderam algumas bandeiras e mitos, mas na verdade ainda não findaram, e nem mudaram o seu foco.  O posicionamento do homem  diante delas talvez.  Sempre teremos grandes perguntas, e pequenas -  às vezes frágeis  -  respostas.  Por isso, o que nascer e crescer  em nós e a partir de nós revigorará muito mais a caminhada de fé  que nosso próprio discurso.  

Os enigmas da humanidade permanecerão arando solos. Assim foi, e seria bom que assim pudesse sempre ser. Ainda que seja  revelado ou profetizado em parte,  seremos sempre como meninos diante da plenitude do que é perfeito, e ainda desconhecido. Face a face deve ter sido antes do útero, e deverá ser depois da morte. No corpo, só vaidades e aflições de espírito, como diz a poesia bíblica.

Mesmo existindo uma verdade absoluta,  o caminho que leva a ela não deve ser radical, deve ser um caminho de solo sempre arado. Sair proclamando ou repetindo "verdades" que nem eu mesmo entendo ou pratico não é semear, é tolice. 
"O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer, o tolo, porque tem que dizer alguma coisa" (Platão)

Espero ter dito alguma coisa que faça sentido! :)


quarta-feira, janeiro 08, 2014

A Procura da Felicidade


Desde que o mundo é mundo, assim tem sido. Quanto mais a gente sabe das coisas, mais se depara com outras tantas que nos fazem pensar que ainda não sabemos o suficiente; e com freqüência erramos na aplicação do pouco que supomos saber. Somos cultos e conhecedores de uma gama enorme de assuntos, mas ainda morremos em suicídios por depressão ou falta de dinheiro, matamos por desespero ou por não ser correspondido, e buscamos o que nos falta em consultórios, conquistas materiais e pseudo religiões.
Um esforço contínuo para não se deixar persuadir pelos falares bonitos, pelas imagens retocadas, pelas aparências que vendem a “coisificação” da vida, a ideia de que usufruir de tudo que é material faz alguém definitivamente feliz.
O que vai me sustentar quando a dificuldade vier, quando o amor for embora, e a idade avançar...?
A resposta é o fio que me conduzirá diariamente a um estado saciado de felicidade.

E isso não tem nada a ver com somente dias de sol. Tem a ver com dias que começam e terminam em paz. 
Tem a ver com estar de bem com o espelho da alma, Com uma vida alimentada de sentido.

quarta-feira, outubro 16, 2013

Cura



O efeito de um trauma é alucinógeno.  Distorce os sentidos, confunde os pensamentos e afeta as relações. 
O que torna tudo ainda pior é a postura arredia do ferido, que, numa falsa perspectiva de proteger-se, vai se afastando das oportunidades  de relações de cura e contaminando-se com  tudo e todos ao seu redor. Camuflar-se em meio a uma multidão de problemáticos não torna ninguém normal. 
Desnude-se e abra a porta! Só assim você perceberá quem  se incomodará e quem  lhe socorrerá.

E não se importe. Como disse Sartre, “Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem”!

quinta-feira, julho 25, 2013

Vida - Um Devaneio Divino?


Frequentemente, me flagro refletindo sobre os mistérios da genética e todo processo histórico criacional da vida em seu fascínio de beleza, magia e terror. Sim, terror. Porque a vida é bela, é mágica, mas também é aterrorizante, mesmo para os mais esclarecidos e espiritualizados.
Todo salto no escuro é aterrorizante. Bungee jumping, por exemplo, é um esporte fascinante, mas (embora não sendo comum no escuro) também pode ser aterrorizante. A vida é uma aventura, de muita adrenalina. Uma aventura que não se inicia a partir de mim e que não dura o meu tempo. A vida é uma aventura atemporal. É um fôlego inesgotável que anima diferentes espécies, num universo cheio de encantos e buracos, e que nos parece eterna enquanto nela acontecemos, e definível em nossas limitações quando buscamos explicá-la. Mas a vida está para muito além do nosso entendimento...
Se dermos vazão a toda sorte de questionamentos a respeito da origem e sentido da vida, acabaremos por pousar num plano de devaneios.
Eu diria que suaves devaneios me ocorrem na caminhada. Parecem inevitáveis. Mas, olhando para trás, revisitando a história, posso afirmar que o que conseguimos evoluir em teorias (comprovadas ou não) , em avanços científicos e exploração do universo, muito disso veio de algumas mentes em devaneios, ou de alguém que pensava-se estar em devaneios..Logo, a vida, às vezes, para alguns, é devaneio.
Viver a vida é o que não está além de nós. É o nosso pedaço no latifúndio da história, é a nossa vez de experimentar a aventura, de preferência, com certa dose de devaneio.
Não se preocupe. Deus muito provavelmente considerou esta hipótese. Aliás, seria loucura ou total heresia se eu imaginasse que o mundo é fruto de um devaneio divino?
Seja como for, aquilo que está tão além do meu entendimento, só pode emanar de uma fonte igualmente imensurável e gloriosa, com a sensível diferença de que, para esta fonte, certamente nunca é escuro, nem aterrorizante, e sobre quem o tempo não age. São estes pequenos detalhes de diferença que nos tornam assim, seres tão...humanos.
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segunda-feira, julho 15, 2013

Ideologia! Nossos filhos querem uma pra viver!


Sobre a recente notícia da morte do jovem ator  Cory Monteith, voltei a refletir sobre o nosso papel de pais no mundo atual.
Foi inevitável conversar com minha filha, e respeitar a frustração dela, diante da notícia. Comecei a conversa, lembrando da confissão de Cazuza:  “Meus heróis Morreram de overdose. Meus inimigos Estão no poder. Ideologia! Eu quero uma pra viver
Nossos filhos têm seus ídolos humanos, pessoas que eles elegem como inspiração, a quem admiram. Isso é razoavelmente natural. Nós já tivemos os nossos! Eu me recordo perfeitamente de quando Elvis morreu, e como me senti... Foi horrível!

Mas, diante dessas situações, a gente acaba aproveitando para rever uns conceitos e reforçar alguns valores imprescindíveis.
O que eu busco enfatizar para os meus filhos (ainda que em outras palavras) é que o início da derrota muitas vezes está em subestimar o inimigo. E o inverso -  a vitória – nem sempre está em valorizá-lo e enfrenta-lo, mas em reconhecê-lo e evita-lo. Isto não é covardia. É sabedoria. É bíblico:  “Afastem-se de toda forma de mal” (1 Tessalonicenses 5:22)
A bíblia também diz que “a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Efésios 6:12).

Aos que se entregam às muitas opções alucinógenas como fuga de problemas e fraquezas pessoais: Como eu gostaria de convencê-los que a mola propulsora está dentro de vocês!
Nenhum objeto ou substância pode produzir solução mágica para o sofrimento, para a baixa autoestima, para decepções e frustrações. Mesmo medicamentos devidamente prescritos não nos curam. No caso de tratamentos adequados, o que eles fazem é nos colocar física e emocionalmente prontos para a descoberta do caminho, das prováveis causas,  entendimento e identificação do nosso real refúgio e fortaleza!
E, acreditem: para o mal, basta nos fazer acreditar o contrário!

Pais, a nossa responsabilidade é muito maior do que imaginamos! Não podemos continuar correndo atrás das vaidades e exposições pessoais! Nossos filhos podem estar ouvindo de nós repreensões e lindas lições teóricas, mas estão nos assistindo praticar ações nada dignas de admiração! às vezes, mesmo morando na mesma casa, dividindo a mesma mesa de jantar ou sala de TV, existe um abismo entre nós!
O nosso tempo foi apenas o nosso tempo. Melhor numas coisas, pior em outras...
Não adianta querer forçá-los a viver fora do tempo deles, com críticas e posicionamentos radicais, onde o nosso saudosismo seja nada atrativo, e meramente careta! (De algum modo, vai ser mesmo.É inevitável!)
Precisamos lembrar de compartilhar experiências diárias. Eles aprendem, e nós também! Todos só teremos a ganhar! 

Consertar o que saiu errado é muito mais trabalhoso, e traz mais sofrimento do que investir  no alicerce de uma construção sólida e fortalecida.
O futuro do mundo está em nossas mãos!
Não podemos nos esquecer que alguns conselhos simples fazem muita diferença:
A boa reputação vale mais que grandes riquezas; desfrutar de boa estima vale mais que prata e ouro. (...)
Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles
.” (provérbios 22: 1 e 6)


Todos temos problemas. Conviver e cuidar da saúde da família será sempre um desafio. Ninguém disse que seria fácil! Mas não podemos negligenciar diante do que temos conhecido.
A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido” (Lucas 12:48)

E que Deus nos ajude!


quarta-feira, abril 10, 2013

Que Saia Justa Essa Tal Felicidade...




Que saia justa esse jeito pós-moderno de ser feliz, não acham?

Sabemos das prioridades, mas não encontramos tempo para ordená-la e cumprí-las;

Conhecemos todas as grandes ideias para preservar o planeta,  mas só as admiramos no marketing corporativo, e, em casa, ignoramos que somos parte do que destruímos;

Temos informação suficiente para fazer de nós pessoas geniais, mas usamos simplesmente para conquistar posições  sociais;

Conhecemos as questões da alma, mas suas respostas nos forçariam a abandonar coisas que, embora  sem valor, ganharam nosso coração...

Descobrimos que a família é importante e decisiva na formação de nosso caráter e emoções, mas  aceitamos qualquer versão desconstruída em nome de uma liberdade mais contestadora e agressiva que exatamente feliz.

E então? Quem é feliz aí levanta a mão!

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

A Vida Por Um Fio...

A morte é como a força invisível do vento que apaga a chama da vida. Diante dela, nos sentimos frágeis, pequenos, limitados e finitos. Ela nos revela que não temos vida por nós mesmos. Somos "cheios de vida", mas não a possuímos.
Há uma fonte, e nela sim nos movemos e existimos.

Quando a chama se apaga, ela nos silencia e sensibiliza, levantando perguntas e nos levando a profundas reflexões.
Para alguns, a morte abre os os olhos racionais, tão ofuscados pelo materialismo do ter, e, pelo menos por algum tempo,  revela a própria vida, revitalizando o que nela há de essencial, seus princípios e valores que  iluminam e  lhe dão sentido. Nesta hora, questionamos o saber, o poder e a auto-suficiência; nosso orgulho,  nossas vaidades e ilusões. Quando a morte passa por perto, somos chamados à conversão. Há uma predisposição espiritual e emocional de se olhar para além do horizonte deste mundo. A existência humana torna-se, então, transcendente.  Já para outros, quando a morte passa por perto, é a chance de se desafiar os conceitos sobrenaturais da vida, a insustentabilidade racional da fé, e a existência  de um Deus. Mas, seja como for, a morte nos impacta.

Menos doloroso seria se entendêssemos a morte como a porta pela qual todos terão de passar para chegarem à eternidade, a única possibilidade real da nossa transcendência e, por meio da ressurreição, a oportunidade de nossa vida um dia continuar existindo de algum modo junto à fonte de tudo.

Quem sabe, assim, seríamos capazes de desvendar os mistérios que nos roubam a paz, ou, se assim preferirmos, simplesmente teríamos paz enquanto vivemos, mesmo desconhecendo todos mistérios... É uma escolha que, no final das contas, não afetará a revelação final, mas fará razoável diferença no modo de se ver e viver a vida...  Na verdade é uma escolha pela paz interior - nem pela angústia das aflições, nem pelo poder de dominar o conhecimento de todas as idéias ou ciências. É apenas uma escolha por viver com o coração em paz, e render-se a sublimidade desse sobrenatural.


"Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Crês nisto?" (palavras de Jesus Cristo - Bíblia Sagrada, Livro de João cap 11.25-26).

quarta-feira, novembro 16, 2011

O Botão Mágico



Comentário da minha filha um dia desses:
Mãe, você não tem a impressão de que o que existe  é só o momento que você está vivendo? Agora, por exemplo, parece que , no mundo todo, a única coisa que existe é isso aqui, o que está  acontecendo no lugar onde a gente está. Você também sente assim?

Não é curioso e mágico que as crianças do nosso mundo globalizado ainda consigam reter dentro de si  esta sensação? Apesar de toda invasão dos meios de comunicação, e todos os recursos disponíveis, inclusive redes sociais que também as afeta, este encantamento persiste inconscientemente em habitar a alma infantil?  Só receio que isto não seja uma regra.

A infância é mesmo adorável, independente das circunstâncias adversas. Sim, eu sei, existem coisas duras como fome, miséria, violência e muitos outros contratempos a que são injustamente submetidas nossas crianças, e isto afeta a poesia e a beleza desta fase tão preciosa; mas tal habilidade de “abstrair”, fantasiar e de ignorar o que está fora do mundo lúdico em que normalmente estariam inseridas é positivamente invejável, e faz razoável diferença ao enfrentarem o sofrimento e desafios da vida.
Lembro-me vagamente desta experiência, mas pelo menos ainda consigo compreender a que minha filha estava se referindo.

Hoje, já adultos, o exercício é contrário. Não são raras as terapias disponíveis justamente para ajudar o indivíduo a se desligar, relaxar, e procurar trazer à memória aspectos positivos sobre o cotidiano, sobre si mesmo, seus conflitos e problemas de peculiaridades e áreas diversas. Quantos de nós não se flagra diariamente em tentativas semelhantes,  não necessariamente estimulados por terapias, mas por decisão pessoal, pela consciência de que precisamos sobreviver, minimizar o stress e evitar as muitas síndromes e depressões? Quantas vezes não desligamos a TV, mudamos o canal ou simplesmente olhamos para o outro lado, evitando  que os acontecimentos, mesmo ainda não sendo conosco, influenciem nosso dia-a-dia, alguns deles chegando a nos consumir e angustiar?

Puxa vida! Onde será que fica o tal botão mágico na psique humana? Talvez, se resgatado,  pudesse nos transportar à uma ilusão (pois a esta altura, não há mais como ser lúdico) capaz  de nos poupar da realidade amarga e aparentemente sem solução que se tornou esta vida vivida.

Você pode escolher perguntar às crianças. Eu não perguntei à minha filha. Não tive coragem. Na verdade, foi ela quem me perguntou se eu não me sentia do mesmo modo. Lembro-me de ter respondido apenas que sabia o que ela estava querendo dizer, e que era realmente muito interessante a sensação, mas que os adultos não conseguiam sentir-se assim todo o tempo por causa das muitas responsabilidades e preocupações que têm, principalmente depois que os filhos nascem, pois, a partir daí,  um pedaço da nossa vida passa a andar fora do nosso corpo, então, não há como pensar que só existe o que está naquele nosso “particular”, no nosso momento presente, principalmente se o filho não estiver junto com a gente.

Não sei se, na prática, ela entendeu. Nem vale a pena conferir. Quanto mais tempo demorar, melhor.

Duro é pensar que existem crianças que já não mais convivem com esta experiência lúdica,  crianças das quais tão cedo foram roubados sonhos, imaginação e fantasias.  Quem os  roubou? O mundo real  provavelmente invadiu a alma daqueles que poderiam ser sua inspiração (pais, amigos, professores) de tal forma que o botão mágico da psique automaticamente se desligou para não causar danos ainda maior. Não é assim que acontece com as instalações elétricas?

Só sei dizer que estes tsunamis diários de fatos, versões de fatos, prognósticos tolos (alguns nem tanto), catástrofes  e detalhes sórdidos de cenas de violência evidente, tudo isto está me causando um curto-circuito emocional. Tudo indica que não há como frear o ritmo acelerado e intenso dessas informações, por isso, tenho buscado gerenciar minha sintonia. Sempre que puder, redirecionarei meu olhar, e decidirei qual botão, então, ligar.

Não, crianças, infelizmente não existe apenas o nosso “aqui e agora”. Mas, parafraseando o pensamento  de Richard Bach: “Se a nossa vida depende de coisas como o espaço e o tempo, então, quando finalmente ultrapassarmos o espaço e o tempo, teremos destruído a nossa fraternidade! Mas, ultrapassando o espaço, tudo o que nos resta é aqui. Ultrapassando o tempo, tudo o que nos resta é agora. E, entre aqui e agora, você não crê que poderemos tentar ser felizes?” (1)
Dentro desta perspectiva,  o paraíso é uma questão pessoal (2).

(1)   In "Fernão Capelo Gaivota"
(2)  Título de um dos livros de Richard Bach


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