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segunda-feira, maio 18, 2020

A Resiliência Diária diante da Esfinge



O ser humano, por mais que se esforce para “ser” humano, diante de ameaças (em suas mais variadas dimensões), acaba sabotado por sua face animal. De repente, o bicho homem se revela  em ferocidade, na sutileza da emboscada,  na busca por um bando, na hibernação temporária para esperar o motim...
Por isso, lidar com gente requer destreza, e, em determinadas situações, uma noção adaptada de sobrevivência na selva.
Isso não é poético, nem motivacional, mas é intuitivo e instrutivo. Quase que uma dica de “sabedoria” para lidar com as esfinges(*) no dia a dia.


(*) A esfinge era um monstro alado com corpo de mulher e leão que afligia a cidade de Tebas. Primeiramente apresentava aos homens o seguinte enigma: “Que animal anda pela manhã sobre quatro patas, a tarde sobre duas e a noite sobre três?” como nenhum dos homens conseguiu decifrar tal enigma, a esfinge os devorava.

segunda-feira, dezembro 18, 2017

Sobre Tormentas...


As tormentas não são simples fatalidades para nos causar medo e desespero. Elas são fenômenos, processo vivo da constante atividade da natureza. Faz parte. Ou seja, se o meu barco está no mar, devo contar com tormentas.

É certo que em meio a toda imensidão cósmica, somos poeira; e se quisermos fazer valer o fôlego mágico de vida que nos eleva um pouco além da poeira, devemos aprender com tempestades e bonanças, e continuar remando, certos de que - quer tragados,  náufragos ou ilesos, os remos estiveram firmes , o horizonte foi contemplado e  o fim... Ora, o fim sempre vem. Mas..... Há uma esperança teimosa que nos alimenta, e que não se resume ao que por aqui se encerra.

Com o fôlego de vida, parece que recebemos uma intuição de eternidade, e esta intuição é como uma águia que voa alto quando há tormenta: Elas sabem que acima das nuvens escuras, dos ventos e das descargas elétricas, brilha o sol.

Portanto, a cada novo amanhecer, lembremo-nos que as tormentas e o fim são inevitáveis, mas a fé é esta intuição de eternidade, e que ela tem olhos de águia!

domingo, novembro 13, 2016

Desconstruir e Recomeçar



Quem nunca precisou derrubar 
uma estrutura comprometida 
para se reconstruir, 
sem dúvida deve ter muito o que agradecer; 
mas só quem teve castelos desmoronados 
conhece o poder restaurador da fé e 
quão forte é a esperança contra o tempo! 
Não subestime as possibilidades futuras. 
Não há melhor matéria prima e alicerce 
que a experiência da "desconstrução"!

terça-feira, novembro 08, 2016

Andar junto e Pensar alto...

Qualquer relação onde não haja espaço pra se "pensar em voz alta"
está fadada à solidão de alma de uma das partes, ou de ambas. 
Dure o quanto durar sua aparência ou formato, em algum momento,
o conceito será abalado e perderá seu valor. 
Emoções ocasionais até poderão revelar um bem-querer, mas esconderão angústia e frustração.
 Não haverá verdade a ser admirada, pois tudo não passará de vitrine da ilusão... 

quarta-feira, outubro 05, 2016

Sou só Eu.

ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão” 
(Clarisse Lispector)




É inevitável.
Em algum momento, chegaremos a esta conclusão.
Por mais resolvidos que sejamos, por mais amigos que tenhamos, por melhor que sejam nossas relações, e por mais que busquemos entendimento em livros, em terapias, em Deus...
Seja como for, a gente, uma hora ou outra, acaba esbarrando nesta dor, a dor da constatação de que haverá sempre uma discreta e necessária solidão...
A fé pode  minimizar bastante os fatos, mas certas coisas vão continuar sempre dependendo só de mim. E isso vai doer. Mas faz parte da interminável construção do EU.
A notícia boa é que quanto mais doído, mais fortalecido. Então, melhor deixar doer, e esperar que vai passar!


quarta-feira, junho 29, 2016

APOCALIPSE



Deixem-me lhes contar uma coisa.
Durante a minha infância, eu tinha muito medo do livro de Apocalipse. Quando ouvia a leitura da Besta, dos chifres, dos castiçais.... Ai que medo!!

No meio cristão, todo mundo se metia a entender, colocando-se no pedestal de “mestres no assunto”, cada um pregava uma versão mais assustadora que outra. Eu vivia esperando o mundo acabar, e achando que até o simples escrever “ 666”  era perigoso!  
Do modo que era colocado, realmente deixava qualquer criança apavorada! Mais que Teletubbies (parêntesis total: aff! Nunca houve nada tão esquisito na TV!!!! Risos)

Voltando:
Bom... Eu cresci.  E devo dizer, com certo constrangimento, que faz pouco tempo (comparativamente falando) que joguei fora as interpretações aprendidas e simplesmente reaprendi a ler e ouvir o livro de Apocalipse restringindo-me a dizer “Uau!”.
Sabem de uma coisa? Hoje, Apocalipse me fascina! Mesmo não conseguindo decifrar toda a riqueza dos seus símbolos, fico sobrenaturalmente tocada pela “vibe” da narrativa! É então que percebo que alguma coisa dentro de mim – que parece dizer a respeito de quem eu sou, de onde venho e para onde vou – se reconhece, e se emociona.
Pode até ser a “maior brisa”, mas é tão empírico quando sinto que, para mim, é espiritualmente real.
Sem medo, e sem qualquer pretensão intelectual de entendimento, eu sigo dizendo UAU! Porque, neste caso, deter-se  a um  entendimento fiel e único é como olhar um Van Gogh e tentar descobrir a marca da tinta e o tamanho do pincel que ele usava! Mesmo que você pesquisasse a respeito, desperdiçaria um tempo precioso de simples contemplação e encantamento.

Aliás, às vezes, contemplação é tudo.

"A contemplação são os olhos da Alma" (Jacques Bossuet)



sexta-feira, outubro 09, 2015

O Olhar de quem Sofreu


Mais que qualquer cerimonial ou liturgia, nossas duras experiências de aparente sofrimento são oportunidades extraordinárias  de revelação do “Eterno” em nossas vidas. Parafraseando o relato bíblico, elas nos transformam,  como quem acaba de voltar do monte, ressurgimos  radiantes , plenos, transfigurados.
Agora, que trouxemos um novo olhar sobre o que de verdade importa, resta-nos a chance de mais uma tentativa coerente de vida,  com o devido desapego e um real propósito nesta peregrinação terrena.

Que assim seja. Amem.

terça-feira, setembro 01, 2015

Seja como for, você Jamais será o mesmo!




Ouço pessoas se referirem à sua opção religiosa como quem escolhe um partido político que mais atende às suas reivindicações, como quem encontra um imóvel que se adapte às suas necessidades, uma filosofia de vida que possa responder suas questões existenciais  ou  trazer  aparente  conforto  para o implacável sofrimento  nas tempestades da vida. Qualquer que seja a característica desta escolha, eu acredito que existe uma grande chance de ainda não ter sido um encontro com Deus.

É certo que um encontro com Deus vai me levar ao próximo. A comunhão é uma consequência natural do encontro com Deus: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:21).  Mas a comunhão não preconiza fenômenos religiosos, e sim uma transformação perceptível de pessoas como gente, cidadão, e sociedade.

Um encontro com Deus não explica os desígnios aparentemente insuportáveis, não requer sacrifícios, protocolos, nem dogmas; um encontro com Deus, no máximo, vai trazer reverência e deslumbramento. Um encontro com Deus não me livra de nada, e nem sempre me oferece respostas, mas me fortalece e surpreendentemente me faz feliz, apesar das circunstâncias.

Um encontro com Deus é inevitavelmente arrebatador. Geralmente não há como explicar e também muito pouco pra se entender, mas talvez seja como encontrar uma fonte de energia recarregável, como voltar pra casa depois da guerra, como correr para os braços do pai,  como sentir na face o calor do corpo do bebê que acabou de nascer... Tem o poder do colo da mãe quando o machucado está doendo, a sensação da caverna em meio à avalanche, e o sabor  de um copo d’água para o sedento. É a nuvem no deserto do dia, e o clarão do luar no deserto da noite...

Diferente de religião, o encontro com Deus não se discute. Percebe-se. Transforma.

sexta-feira, junho 26, 2015

A Todos Quantos Queiram...


Qualquer movimento religioso desenhado para atrair semelhantes de classes, gostos e preferências, acaba produzindo um grupo de excluídos, e se desviando do princípio básico de trazer os que estão “à margem”, incentivar a diversidade, envolver, inspirar e compartilhar dons, posses e saberes

sexta-feira, março 20, 2015

Queria Saber como é ser diferente....



Não quero mais a pretensão das minhas teorias. Elas nunca se aplicam à realidade dos outros, e, na prática, acaba sendo frustração.
Eu sei... Vai ser difícil lutar contra meus "achismos", afinal, eles já estão impregnados no meu jeito de ser; mas eu queria tentar.
Queria tentar mais despojamento e menos "análise das situações", uma certa dose de  descompromisso, menos impressões, menos considerações... Talvez  trouxesse  maior leveza nas relações.
Olhando ao meu redor, fico imaginando se não conseguiria ser intensa e profunda sem imprimir tanta responsabilidade naquilo que pode simplesmente acontecer por conta do acaso. Queria aprender de verdade que não dou conta de me carregar assim, tão densa.

Queria praticar o ¨laissez faire,laissez passer,le monde va de lui-même"

Vou tentar. Não sei se vai funcionar. Sinto que o maior obstáculo que vou enfrentar serei eu mesma...  Mas não é assim que a gente vive? Numa batalha diária contra o "EGO"?  Ah, não?!?!?  Xiiiii De cara, minha premissa é errada? Definitivamente, isso não vai dar certo!

Desisto.

quarta-feira, janeiro 07, 2015

Simplesmente Complicado....

O que me encanta geralmente é simples, embora profundo e enriquecedor. Não se exibe inconsequentemente para forçar aplausos, mas revela-se de modo natural. Pode ser sutil ou catártico, pontual ou habitual, mas será inevitavelmente intenso e transparente. O que me encanta é simplesmente complicado...

segunda-feira, setembro 01, 2014

Fé, Esperança e Amor



Ouvir Deus não faz de mim um vidente, nem um ser iluminado. Apenas alguém consolado diariamente pelo seu Espírito, fortalecido por suas promessas  e renovado por seu amor e perdão. Alguém guiado pelas três coisas descritas no trecho em referência acima: pela fé, pela esperança e pelo amor!

Qualquer que seja o fio que te conduz à fé, creia que a carga tem a ver com a qualidade da ligação, e não com o nome que damos à fonte. Até porque, Deus não muda de identidade conforme a nomenclatura, e nem o seu poder e glória dependem do nosso reconhecimento. Deus é. Simples e complicado assim. E nenhuma inteligência humana tem poder para mudar isso. 

Crentes, ateus e agnósticos são opções variadas do olhar livre do homem diante da perplexidade da vida. Já o olhar do sobrenatural é imutável, intangível e imensurável. E os Seus caminhos continuarão misteriosamente insondáveis até que ELE mesmo venha a se revelar – seja como for!


quarta-feira, janeiro 08, 2014

A Procura da Felicidade


Desde que o mundo é mundo, assim tem sido. Quanto mais a gente sabe das coisas, mais se depara com outras tantas que nos fazem pensar que ainda não sabemos o suficiente; e com freqüência erramos na aplicação do pouco que supomos saber. Somos cultos e conhecedores de uma gama enorme de assuntos, mas ainda morremos em suicídios por depressão ou falta de dinheiro, matamos por desespero ou por não ser correspondido, e buscamos o que nos falta em consultórios, conquistas materiais e pseudo religiões.
Um esforço contínuo para não se deixar persuadir pelos falares bonitos, pelas imagens retocadas, pelas aparências que vendem a “coisificação” da vida, a ideia de que usufruir de tudo que é material faz alguém definitivamente feliz.
O que vai me sustentar quando a dificuldade vier, quando o amor for embora, e a idade avançar...?
A resposta é o fio que me conduzirá diariamente a um estado saciado de felicidade.

E isso não tem nada a ver com somente dias de sol. Tem a ver com dias que começam e terminam em paz. 
Tem a ver com estar de bem com o espelho da alma, Com uma vida alimentada de sentido.

quarta-feira, outubro 16, 2013

Cura



O efeito de um trauma é alucinógeno.  Distorce os sentidos, confunde os pensamentos e afeta as relações. 
O que torna tudo ainda pior é a postura arredia do ferido, que, numa falsa perspectiva de proteger-se, vai se afastando das oportunidades  de relações de cura e contaminando-se com  tudo e todos ao seu redor. Camuflar-se em meio a uma multidão de problemáticos não torna ninguém normal. 
Desnude-se e abra a porta! Só assim você perceberá quem  se incomodará e quem  lhe socorrerá.

E não se importe. Como disse Sartre, “Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem”!

Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...