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terça-feira, abril 28, 2020

O Absurdo da Fé



Tertuliano (um teólogo que viveu entre os anos de 160-230) argumentou que a maior verdade do Cristianismo era a sua absurdidade: Creo quia absurdum est ("Creio porque é absurdo."). Também acho. Se não fosse absurdo, não haveria necessidade de fé, bastava entender.
A quem me pergunta, por curiosidade (ou porque busca para si uma explicação) sobre minha fé e seus fundamentos em minha vida, respondo: 
Creio porque é um absurdo, e esta experiência me nutriu até aqui, e me sustenta em todo tempo. Há dias em que nem percebo que isto me sustenta, em outros, busco o tempo todo esta certeza para conseguir me sustentar.
É assim. Simples de viver e complicado de explicar.

Só não sei viver sem este absurdo!

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Não me conformo!

V




Perdoem a imagem :(

Se eu olhar para Aleppo e achar que a vida se resume ao que vejo, teria que desconsiderar as lágrimas que me vêm aos olhos, a dor que me aperta o peito, a aflição que me incomoda o espírito...
Não é possível!  Mil vezes: não é possível!
Uma divindade não seria tão tirana e sádica! Se assim o fosse, não me capacitaria com emoções que me parecem clamar por um propósito maior!

Um corpo que respira, anda, fala, enxerga, ouve, e come, é um corpo que cumpre o papel de existir. Mas uma alma que dentro dele dói, arde, questiona, chora, reflete, se entristece e não se conforma, isto é uma vida!
E não fomos colocados aqui para apenas existir!

Não tenho “a” resposta, mas não me conformo!
Prefiro reconhecer que realmente NADA SEI, e não me cansar de pedir por socorro, do que me acomodar na postura pretensiosa de um ateu.
Eu creio. Só não entendo... E choro muito por não entender.


Não tente me explicar, porque tenho para mim que a poesia bíblica registrada em 1 Corintios 13 já disse o que tinha para ser dito...

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”


Sigo nesta esperança. E sigo chorando, inconformada.


domingo, novembro 13, 2016

E que Deus me perdoe 🙏


Devo confessar: Eu julgo as pessoas! 

Não as julgo pela aparência, mas observo suas escolhas, seus  relacionamentos, seus interesses - ou desinteresses,  percebo o que ganha sua atenção, como se relacionam com os outros, como tratam crianças, idosos, animais... Reparo seus  posicionamentos ( contra, a favor, e muito pelo contrário),  seu jeito de olhar, de evitar o olhar, considero suas respostas e principalmente suas perguntas... Enfim.

Será que existe salvação para mim?! :)

Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós


Então, devo lhes dizer:  Sintam-se à vontade para  usarem a mesma medida a meu respeito.

No mais,  que Deus me perdoe!

Desconstruir e Recomeçar



Quem nunca precisou derrubar 
uma estrutura comprometida 
para se reconstruir, 
sem dúvida deve ter muito o que agradecer; 
mas só quem teve castelos desmoronados 
conhece o poder restaurador da fé e 
quão forte é a esperança contra o tempo! 
Não subestime as possibilidades futuras. 
Não há melhor matéria prima e alicerce 
que a experiência da "desconstrução"!

terça-feira, outubro 11, 2016

Escolha Uma Vida Abundante


Se algo é verdadeiro, honesto, justo, amável, bom, se há virtude e se merece seu reconhecimento... Já está dito! Pode escolher e continuar, pois muito provavelmente deverá te fazer feliz. O contrário é legítimo: Se algo é mentiroso, desleal, cruel, injusto, indigno e mesquinho, também já está dito! Então, qual é a sua dúvida?!

Quanta gente infeliz e oprimida, com suas vidas à sombra de promessas humanas, à espera de milagres que limitam a ação divina à palavra de uma liderança ou a respostas sobrenaturais acompanhadas de eventos que beiram o ilusionismo...

A religião acaba manchando sua missão maior quando espalha noções de certo e  errado vinculadas a dogmas e culturas, e incentiva uma vida de devoção à mecanismos “chamados” espirituais que só se revelam impulsionados por sacrifícios pessoais, e que são vendidos como benefícios não desfrutáveis em vida. Ou seja, vidas emocionalmente despedaçadas, que persistem agonizando seus esforços para restaurar situações e histórias que não mudam!

Qualquer que seja a plenitude da experiência pós vida, seu formato ainda não nos foi denotativamente revelado, e toda nossa esperança a este respeito define nosso modo de viver, e não de “deixar de viver”! O tempo de ter vida abundante é agora; e a voz de Deus sobre nossos problemas, escolhas e decisões não ressoa só no sublime, mas nas evidências diárias da sua presença entre nós, e em nós.

A gente pode esperar para realizar um sonho, mas não para ser feliz ou para ter paz. E não existe conselho espiritual, místico, esotérico, ou o que for, mais confiável que as evidências que nos aprisionam e agridem todos os dias. Como disse Caetano, Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é; então, porque não agir confiante nesta evidência simples e poderosa?

Hoje é dia de tomar decisões que nos tragam paz e bem estar, que nos revigorem e nos renovem a esperança.

A gente é feliz quando consegue desfrutar do livre arbítrio com a serenidade de quem se reconhece dentro de um plano maior, e que entende que, por isso mesmo, a grandeza de suas perspectivas e propósitos de vida serão inevitavelmente reflexo e projeção de conceitos que transcendem a superstição e a intolerância. Não tem como errar! Decida e siga em frente. Vou repetir, para ajudar:

Se algo é verdadeiro, honesto, justo, amável, bom, se há virtude e se merece seu reconhecimento... Já está dito! Pode escolher e continuar, pois muito provavelmente deverá te fazer feliz. O contrário é legítimo: Se algo é mentiroso, desleal, cruel, injusto, indigno e mesquinho, também já está dito! Então, qual é a sua dúvida?!

Ah! e “não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34)

domingo, agosto 07, 2016

Perguntaram-se sobre a febre do PokemonGo...



Nasci em lar cristão-evangélico, e vivi minha adolescência por lá, nos idos anos 80. Uma época onde Gospel não era “moda”; cantores cristãos e padres modernos não habitavam a mídia com popularidade,  nem os ritmos das canções chamadas “sacras” variavam além do tradicional americanizado ou abrasileirado no estilo sertanejo (ainda que imperceptível). Ou seja: bem diferente da atualidade.

Na mesma época, lembro-me perfeitamente que, em determinadas denominações e seitas,  a guerra entre Deus e o Diabo era conhecida por manifestar-se misticamente no plano físico, dentro e entre as pessoas da comunidade. Era como se os “crentes” vivessem num plano paralelo de santidade; santidade esta que se evidenciava forte e pretensiosamente na aparência de alguns fiéis: não cortavam cabelos, não usavam short, calças compridas ou saias curtas; não dançavam, nem frequentavam ambientes “mundanos”, tipo danceterias, festas juninas ou coisas parecidas. Os shows de exorcismos roubavam a cena da liturgia eclesiástica. Feita para gerar um ambiente de adoração e contemplação, a atmosfera do culto acabava perdendo o propósito e tornava-se ringue das das lutas entre “deus e o diabo”...

Contemporâneo a todo este absurdo dogmático, havia também uma febre de “guerra às mensagens subliminares do mal” presentes em músicas, quadros, jogos, TVs e algumas outras mídias. De lá pra cá, muita coisa  mudou. Saudosismos e nostalgias à parte, ganhamos muito. Mas acredito que ainda existe um longo caminho a percorrer.

Recentemente, chegou ao Brasil a tão esperada febre do PokemonGO – algo mais ou menos assim:  um joguinho que se vale da câmera dos smartphone, GPS e mapas reais das cidades para trazer a sensação de que o mundo real se une ao virtual espalhando “monstrinhos” esperando para serem caçados. O lançamento do aplicativo trouxe à tona uma série de notícias bizarras nas redes sociais. Novamente o universo espiritual está sendo evocado como a grande mente engenhosa por trás do jogo. Nessas notícias, PokemonGO virou ferramenta de alienação e terrores noturnos infantis, influência diabólica, uma nova porta aberta para entrada do mal nos lares!

É impressionante como reduzimos o Divino e as coisas espirituais ao tamanho de nosso cérebro, neuroses, visão curta, distorcida e descabida!

Sempre que me deparo com eventos desse gênero, lembro-me das mensagens subliminares e os muitos outros  “demônios” que aprendi evitar desde pequena para não ser “contaminada” e receber a tal marca da Besta! E o que isto fez de bom por mim? Ouso dizer que minhas maiores e mais doloridas quedas na caminhada teve a ver com o que não me contaram, com o que não me deixaram ver e ouvir, e não me explicaram.

Os quadros com monstros escondidos, os discos tocados ao contrário e o medo de “errar com Deus” não me tornaram um ser humano melhor, nem mais espiritualizado. Infelizmente acabei errando muito para conhecer parte do que de Deus eu pude conhecer até hoje, e que ainda me parece tão pouco...

Queria ter errado  menos, mas não foram as mensagens subliminares as responsáveis por minhas fraquezas, nem qualquer outro aparente tropeço; fui eu mesma, meu ego, meu livre arbítrio, minhas escolhas. Mas... Como Deus é muito maior do que nossos conceitos arrumadinhos, foi justamente nos desvios da estrada e nas experiências humanas (e não com monstrinhos virtuais) que fui aprendendo sobre o bem e o mal, sobre perdas e ganhos, sobre chorar e sorrir...

Queridos, todos estes nossos conceitos são fruto de limitação humana. O próprio Jesus disse: “...seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens. Ouçam e entendam: O que entra pela boca não torna o homem mal; mas o que sai de sua boca, isto sim o torna mal ". (Mateus 15:8-11)

A tecnologia ainda nos reserva  muita coisa que nos deixará boquiabertos - refiro-me a minha geração.  Não temos que necessariamente nos assustar com isto, mas podemos inclusive nos encantar, e usufruir o quanto der, e nosso cérebro idoso conseguir atingir!

Eu acredito que a solidez e o equilíbrio das  futuras gerações (e até de nós mesmos) não está nas novidades cibernéticas e nos avanços tecnológicos! Na minha opinião, gente feliz é gente resolvida, que se aceita, se ama e respeita, e que ama e respeita o outro; e só sabe amar quem recebe amor, pois só se aprende profundamente o que  é experimentado.

“Conte-me, e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas me lembro. Envolva-me e eu compreendo” (Confúcio)

Quem ama, envolve, ensina e aprende, e vive em paz. E quem vive achando diabo em tudo, definitivamente não vive em paz.



segunda-feira, julho 18, 2016

Aterrorizados, mas não derrotados.


Olhar para o terror e ainda apostar num “inferno” como recompensa mítica é, no mínimo, preguiça de pensar. O nosso real galardão é paz, amor e justiça; novos céus, nova terra, e vida eterna. Não existe figura feia, com chifre, rabo ou tridente capaz de devastar mais o ser humano que o próprio ser humano que abre a porta da sua alma para o mal. Não existe maior demônio que o nosso EU que, acreditando-se absoluto e com poder, influenciando ou sendo influenciado, dedica-se a  seduzir o mundo contra a paz, o amor e a justiça, confundindo seus valores e roubando-lhe a esperança.  
O inferno não são apenas os outros, como dizia Sartre, o inferno somos nós, a partir de nossas escolhas e portas abertas, a partir do que fazemos com nossas angústias, nossos sofrimentos, vaidades e ambições; e isto pode ser catastrófico em qualquer lugar e forma de expressão. Pode estar num púlpito explorando fiéis, num quarto planejando suicídio, atirando contra inocentes, explodindo ambientes, valendo-se da dependência e do sofrimento dos frágeis para tráfico e prostituição... A nossa guerra diária já é contra o mal. O Terrorismo é apenas uma das muitas faces do inferno.
Mas e as vítimas? Bom... Eu concordo e acredito no mesmo que afirmou Teilhard de Chardin: “Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana”. Daí, nosso livre arbítrio tem o papel fundamental de definir o lado que escolhemos ficar. Todos estamos numa peregrinação terrena, o que implica em esforços e fortalecimento constantes para as grandes e pequenas batalhas diárias. A nossa luta não é meramente física e emocional, vai muito além disso. Humanamente falando, todos somos aparentes vítimas, em algum momento. O ideal seria que os nossos propósitos de vida  estivessem alinhados com a premissa de que o tempo urge, precisa fazer sentido, e deve agregar valor. Deixar um legado não é exclusividade de ricos e famosos; todos temos “a parte que nos cabe neste latifúndio” *, e nossos exemplos, influências e inspiração precisam ser levadas a sério, como quem passa adiante um bastão numa maratona.
Não obstante as inevitáveis consequências do sofrimento humano em toda sua amplitude e esfera, a vida é um dom, e mesmo que esta nos seja ceifada enquanto experimentada em forma humana, não deve ser menosprezada, pois a cereja desse bolo estar por vir, a guerra em si já foi vencida. Nossa missão  é resgatar a cidadania divina – em nós e nos outros, para que, um dia, quem sabe, já não existam mais perdidos pelo caminho...
Assim, se sairmos de cena, voltaremos à fonte; todos nós -  A quem a vida, a vida; a quem a morte, a morte.
E, para aquilo que eu ainda não entendo, escolhi as palavras do Apóstolo Paulo em sua carta aos Corintios como verdade:

"Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;
quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.
(...)
Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.
Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor."

* Poema - Morte e Vida Severina


quinta-feira, maio 19, 2016

Tolerância Também Se Aprende





A gente tem a mania de congelar os momentos, e classificar as situações  conforme  os conceitos aprendidos em nossa época de curta experiência de vida, enquanto todos os eventos e momentos da história carrega a potência de milhares de outras histórias passadas. Por exemplo,  o papel social da figura feminina na história. Quantas  mulheres  foram rotuladas, abusadas, discriminadas, "mal faladas" e até mortas para que algumas mudanças fossem finalmente concretizadas  e as usufruíssemos hoje?!

Por mais banalizado que o tema possa  parecer, eu digo que os detalhes são erroneamente subestimados, por não mensurarmos o real Impacto das ações do tempo presente no futuro de toda uma sociedade;  e isso não tem a ver com ser machista ou feminista, tem a ver com garantir sentido à existência,  plenitude aos propósitos da vida humana  em sociedade, independente de cor, gênero, posição social e credo.


Pergunto-me quão tolerante temos sido com a história de mulheres que hoje em dia ainda ousam em seus posicionamentos – dignos, admiráveis, não convencionais,  assustadores,  ou indecentes . Todos  merecem nossa predisposição desarmada a respeito. Devo considerar que minha simples empatia me torna parte ou me exclui de contribuir com mais um tijolinho na construção do mundo em que meus filhos viverão.  Eu, particularmente, devo isso aos meus, afinal, esta lição eu aprendi com eles.

Imagem: Vitor Furtado 

terça-feira, setembro 01, 2015

Seja como for, você Jamais será o mesmo!




Ouço pessoas se referirem à sua opção religiosa como quem escolhe um partido político que mais atende às suas reivindicações, como quem encontra um imóvel que se adapte às suas necessidades, uma filosofia de vida que possa responder suas questões existenciais  ou  trazer  aparente  conforto  para o implacável sofrimento  nas tempestades da vida. Qualquer que seja a característica desta escolha, eu acredito que existe uma grande chance de ainda não ter sido um encontro com Deus.

É certo que um encontro com Deus vai me levar ao próximo. A comunhão é uma consequência natural do encontro com Deus: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:21).  Mas a comunhão não preconiza fenômenos religiosos, e sim uma transformação perceptível de pessoas como gente, cidadão, e sociedade.

Um encontro com Deus não explica os desígnios aparentemente insuportáveis, não requer sacrifícios, protocolos, nem dogmas; um encontro com Deus, no máximo, vai trazer reverência e deslumbramento. Um encontro com Deus não me livra de nada, e nem sempre me oferece respostas, mas me fortalece e surpreendentemente me faz feliz, apesar das circunstâncias.

Um encontro com Deus é inevitavelmente arrebatador. Geralmente não há como explicar e também muito pouco pra se entender, mas talvez seja como encontrar uma fonte de energia recarregável, como voltar pra casa depois da guerra, como correr para os braços do pai,  como sentir na face o calor do corpo do bebê que acabou de nascer... Tem o poder do colo da mãe quando o machucado está doendo, a sensação da caverna em meio à avalanche, e o sabor  de um copo d’água para o sedento. É a nuvem no deserto do dia, e o clarão do luar no deserto da noite...

Diferente de religião, o encontro com Deus não se discute. Percebe-se. Transforma.

sexta-feira, junho 26, 2015

A Todos Quantos Queiram...


Qualquer movimento religioso desenhado para atrair semelhantes de classes, gostos e preferências, acaba produzindo um grupo de excluídos, e se desviando do princípio básico de trazer os que estão “à margem”, incentivar a diversidade, envolver, inspirar e compartilhar dons, posses e saberes

quinta-feira, junho 18, 2015

Um Olhar Passional

O ser humano é livre, suas ações e reflexões idem!

Cada pessoa traz consigo lembranças, histórias de alegrias, tristezas, traumas, medos, frustrações, etc., e cada um se relaciona com isso a seu modo.
O aprendizado também é diverso, como as ações resultantes de suas experiências. 
Assim, por mais que estejamos olhando numa mesma direção, nosso foco e  interpretação da vida (que é o que gera nossos sentimentos e impressões) não serão os mesmos, e isso poderá não ser igual também numa mesma pessoa ao longo de toda a vida. 

Reconheço que sou passional em relação a vida.
Há coisas que minha razão não consegue explicar com total compreensão, mas, sobre estas coisas, sei dizer que me queimam o peito, me aceleram o pulso, me levam às lágrimas, me roubam o sono... São, em sua maioria, coisas relevantes para mim, mas que não estão na lista de reflexão de todas as pessoas.

Acho bom quando as diferenças nos desafiam, e acabamos nos percebendo alguém melhor, vendo a relação com o outro andar, crescer, sendo boa pra todo mundo.
Agora, gente diferente que não quer sair do lugar? Que não nos persuade, não nos impulsiona, não se move, e nem nos move?! Isso realmente é diferente de mim e é indiferente p’ro mundo! É gente que não abre a janela da alma! 

Não sou tão antipática assim... Gosto de pessoas de todos os tipos, e acredito que a diferença é uma benção para os relacionamentos. Só não me faz feliz seguir ao lado de gente superficial, que se limita no que vê a sua razão, e sonha sempre no singular da realidade. Isso n
ão me parece emocionalmente saudável.

Gente passional é assim mesmo. Difícil de conviver. Como eu! :)


terça-feira, agosto 26, 2014

O Propósito da vida tem um solo fértil...

Hoje, assisti dois filmes, com enfoques diferentes, mas dentro de uma mesma temática:  vida, sofrimento, morte, fé  e eternidade.  
Não classificaria nenhum dos dois com cinco estrelas, mas serviu para, no meu tempo livre, refletir sobre esta inevitável “agonia” de todos nós. Quanto mais ”madura” fico, mais dedico tempo para reflexões do gênero. Fato. Mas também percebo que fico mais flexível. Isso deve ser bom...

Ateus, agnósticos, beatos, consolados, esclarecidos, enfim, ninguém pode afirmar-se  100% dono da verdade (tudo bem que alguns estão quilômetros de distância da razoabilidade de uma, mas não vem ao caso.) Aqui, não me refiro a fé pura, simples e profunda,  que eu projeto inclusive (e principalmente) nas minhas dúvidas, e que me traz paz que excede o entendimento restrito humano. Refiro-me a tudo que a temática religiosa envolve.

Resistir ao desconhecido, numa vã tentativa de negá-lo,  ou  rotular-se como dono de todas as respostas,  da revelação sobre todos os mistérios e toda ciência,  mostrando-se sábio aos nossos próprios olhos, faz de nós solos  compactados, sem porosidade, que só servem  para ser cimentado.
O reconhecimento ou constatação de nossa  insignificante proporção diante da grandeza da vida não nos impede de grandes feitos, pelo contrário, nos deixa leves, como um solo arado, exposto aos raios do sol, sensíveis aos nutrientes , e férteis para a semeadura. Não deveria haver terra árida ao nosso redor, se fizéssemos jus ao propósito da vida.

Os grandes filósofos que tanto questionaram a existência  serviram mais de adubo para a humanidade e para sua transcendência que qualquer radical desnutrido -  quer se auto proclamassem do lado de Deus (do bem) ou de qualquer outro lado.

As grandes questões sobre a vida  perderam algumas bandeiras e mitos, mas na verdade ainda não findaram, e nem mudaram o seu foco.  O posicionamento do homem  diante delas talvez.  Sempre teremos grandes perguntas, e pequenas -  às vezes frágeis  -  respostas.  Por isso, o que nascer e crescer  em nós e a partir de nós revigorará muito mais a caminhada de fé  que nosso próprio discurso.  

Os enigmas da humanidade permanecerão arando solos. Assim foi, e seria bom que assim pudesse sempre ser. Ainda que seja  revelado ou profetizado em parte,  seremos sempre como meninos diante da plenitude do que é perfeito, e ainda desconhecido. Face a face deve ter sido antes do útero, e deverá ser depois da morte. No corpo, só vaidades e aflições de espírito, como diz a poesia bíblica.

Mesmo existindo uma verdade absoluta,  o caminho que leva a ela não deve ser radical, deve ser um caminho de solo sempre arado. Sair proclamando ou repetindo "verdades" que nem eu mesmo entendo ou pratico não é semear, é tolice. 
"O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer, o tolo, porque tem que dizer alguma coisa" (Platão)

Espero ter dito alguma coisa que faça sentido! :)


quarta-feira, janeiro 08, 2014

A Procura da Felicidade


Desde que o mundo é mundo, assim tem sido. Quanto mais a gente sabe das coisas, mais se depara com outras tantas que nos fazem pensar que ainda não sabemos o suficiente; e com freqüência erramos na aplicação do pouco que supomos saber. Somos cultos e conhecedores de uma gama enorme de assuntos, mas ainda morremos em suicídios por depressão ou falta de dinheiro, matamos por desespero ou por não ser correspondido, e buscamos o que nos falta em consultórios, conquistas materiais e pseudo religiões.
Um esforço contínuo para não se deixar persuadir pelos falares bonitos, pelas imagens retocadas, pelas aparências que vendem a “coisificação” da vida, a ideia de que usufruir de tudo que é material faz alguém definitivamente feliz.
O que vai me sustentar quando a dificuldade vier, quando o amor for embora, e a idade avançar...?
A resposta é o fio que me conduzirá diariamente a um estado saciado de felicidade.

E isso não tem nada a ver com somente dias de sol. Tem a ver com dias que começam e terminam em paz. 
Tem a ver com estar de bem com o espelho da alma, Com uma vida alimentada de sentido.

segunda-feira, outubro 28, 2013

Minha Oração sobre os Medícores



Nenhum ser humano tem poder de soprar sentido na vida do outro. Por maior energia que consigamos emanar, não somos Deus.

Eu não sou Deus, mas sou cristã. Minha vida deveria refletir atitudes de quem tem Deus dentro de si, este é o espaço da manifestação do Espírito Santo em mim.  
Conheço e medito em todos os ensinamentos de Jesus, mas confesso que, quando se trata de gente medíocre, volta e meia tenho que me redimir, e pedir muito perdão! Isto me frustra!

Gente medíocre é aquele tipo de gente superficial. Suas relações e seus valores baseiam-se nas coisas, Seus relacionamentos não se resumem no afeto recíproco, na convivência em si, mas nos interesses subliminares, Isto é ser medíocre.

Gente adulta, que ainda pensa como criança mimada.
Gente que não tem nada pra oferecer, mas age como se soubesse de tudo.
Gente que, na hora de tomar o partido do menos favorecido, se omite.
Gente que não imprime esforço nem qualidade naquilo que não dá ibope.
Gente que não faz diferença, e que trata a vida como uma fonte de recursos para satisfazer seus prazeres e vaidades.
Gente que não vive pra servir, logo. Gente que não serve pra viver...
É o tal livre arbítrio....
A gente escolhe tudo, até mesmo viver uma vida medíocre.


É muito difícil separar a pessoa de suas práticas e defeitos, de sua evidente escala de valores que tanto nos decepciona.

Reconheço que precisamos de nossos relacionamentos, precisamos de afinidade e de comunhão, pois são ingredientes que tornam a vida saudável, e completam o propósito e o sentido de uma vida abundante. Caso a mediocridade prevaleça, o amor tem que falar mais alto.

Por isso, esta tem sido a minha oração: 

Senhor, eu quero uma vida com significado. Quero escolher diariamente o amor; o seu amor em mim, revelado na convivência, inclusive com os medíocres! Não quero escolher a vaidade excessiva, não quero escolher a solidão, nem me destruir. Me ajude.

Amém.



 

quarta-feira, outubro 16, 2013

Cura



O efeito de um trauma é alucinógeno.  Distorce os sentidos, confunde os pensamentos e afeta as relações. 
O que torna tudo ainda pior é a postura arredia do ferido, que, numa falsa perspectiva de proteger-se, vai se afastando das oportunidades  de relações de cura e contaminando-se com  tudo e todos ao seu redor. Camuflar-se em meio a uma multidão de problemáticos não torna ninguém normal. 
Desnude-se e abra a porta! Só assim você perceberá quem  se incomodará e quem  lhe socorrerá.

E não se importe. Como disse Sartre, “Todos os homens têm medo. Quem não tem medo não é normal; isso nada tem a ver com a coragem”!

Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...