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segunda-feira, maio 18, 2020

A Resiliência Diária diante da Esfinge



O ser humano, por mais que se esforce para “ser” humano, diante de ameaças (em suas mais variadas dimensões), acaba sabotado por sua face animal. De repente, o bicho homem se revela  em ferocidade, na sutileza da emboscada,  na busca por um bando, na hibernação temporária para esperar o motim...
Por isso, lidar com gente requer destreza, e, em determinadas situações, uma noção adaptada de sobrevivência na selva.
Isso não é poético, nem motivacional, mas é intuitivo e instrutivo. Quase que uma dica de “sabedoria” para lidar com as esfinges(*) no dia a dia.


(*) A esfinge era um monstro alado com corpo de mulher e leão que afligia a cidade de Tebas. Primeiramente apresentava aos homens o seguinte enigma: “Que animal anda pela manhã sobre quatro patas, a tarde sobre duas e a noite sobre três?” como nenhum dos homens conseguiu decifrar tal enigma, a esfinge os devorava.

segunda-feira, dezembro 19, 2016

Não me conformo!

V




Perdoem a imagem :(

Se eu olhar para Aleppo e achar que a vida se resume ao que vejo, teria que desconsiderar as lágrimas que me vêm aos olhos, a dor que me aperta o peito, a aflição que me incomoda o espírito...
Não é possível!  Mil vezes: não é possível!
Uma divindade não seria tão tirana e sádica! Se assim o fosse, não me capacitaria com emoções que me parecem clamar por um propósito maior!

Um corpo que respira, anda, fala, enxerga, ouve, e come, é um corpo que cumpre o papel de existir. Mas uma alma que dentro dele dói, arde, questiona, chora, reflete, se entristece e não se conforma, isto é uma vida!
E não fomos colocados aqui para apenas existir!

Não tenho “a” resposta, mas não me conformo!
Prefiro reconhecer que realmente NADA SEI, e não me cansar de pedir por socorro, do que me acomodar na postura pretensiosa de um ateu.
Eu creio. Só não entendo... E choro muito por não entender.


Não tente me explicar, porque tenho para mim que a poesia bíblica registrada em 1 Corintios 13 já disse o que tinha para ser dito...

Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”


Sigo nesta esperança. E sigo chorando, inconformada.


quarta-feira, outubro 05, 2016

Sou só Eu.

ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão” 
(Clarisse Lispector)




É inevitável.
Em algum momento, chegaremos a esta conclusão.
Por mais resolvidos que sejamos, por mais amigos que tenhamos, por melhor que sejam nossas relações, e por mais que busquemos entendimento em livros, em terapias, em Deus...
Seja como for, a gente, uma hora ou outra, acaba esbarrando nesta dor, a dor da constatação de que haverá sempre uma discreta e necessária solidão...
A fé pode  minimizar bastante os fatos, mas certas coisas vão continuar sempre dependendo só de mim. E isso vai doer. Mas faz parte da interminável construção do EU.
A notícia boa é que quanto mais doído, mais fortalecido. Então, melhor deixar doer, e esperar que vai passar!


quarta-feira, setembro 15, 2010

Cada dia, um olhar.


Há dias em que amanheço questionando tudo. Certa da minha ignorância sobre os mistérios da vida, mas, ainda assim, com uma série de pontos confusos, certezas passadas já não mais tão seguras e alicerçadas quanto antes, e teorias pessoais conflitantes sobre tudo o que parece não fazer sentido à luz da razão... Não há informação que baste.

Em outros dias, por circunstância da vida, amanheço com uma fé inabalável, daquela que remove montanhas. E, quando vejo, lá estou eu. Confiando como se nunca tivesse balançado. Provavelmente, um dia que apresente montanhas aparentemente intransponíveis, assuntos e compromissos que trazem incertezas, dificuldades, perdas, dores e medos.

Há também aqueles dias em que nada parece incomodar. O mundo acontece, apesar de mim. Não tenho tempo para as teorias, e não questiono a fé e o sofrimento. A vida me atropela com seu stress e falsas prioridades; e eu me distraio tanto na organização da rotina, que sequer percebo que sou um ser pensante. Preciso cumprir as tarefas, e sigo atrás da lista do dia com afinco.

Deve haver outras versões para os meus dias, mas acho que estas, de modo resumido, conseguem traduzir meu humor e suas variáveis. Não me refiro a minha capacidade de fazer graça, ou ironizar, falo de humor no sentido de predisposição emocional. Em uma das muitas definições, segundo o Aurelio (Dicionário), “humor é a disposição do espírito”.

Digamos, então, que o que estou tentando aqui compartilhar é que, dependendo da disposição diária das minhas emoções, o meu olhar de compreensão sobre fé, Deus, e seus derivados sofre alteração ou não existe.

Você está chocado? Eu também. Mas a verdade é que quanto mais o tempo passa e - digamos - vou amadurecendo, mais movimentadas têm sido as escalas e os acordes dessas inquietações pessoais, portanto, mais variadas as melodias dos dias...

Enfim, tenho me permitido.
Já houve um tempo em que simplesmente experimentava os costumes e aprendia os conceitos da minha comunidade eclesiástica. Isto foi lindo e valioso. Mas, agora (e olha que não é tão agora assim... Faz tempo!), diante da inevitável aculturação dos nossos filhos no caminho desta herança, e de nossas próprias experiências individuais nos relacionamentos, das descobertas pessoais profundas (fruto de verdadeiras cruzadas por dentro de nossas emoções a caminho de uma inteligência já não mais só intelectual, e também emocional); diante de tudo isto, estou me permitindo um exame de visão. Uma revisão sobre tudo que já olhei, e um novo olhar sobre o que tenho visto.

Acredito que vivendo assim, transparentemente dia-a-dia, consigo estar mais segura do meu olhar sobre os diferentes aspectos da vida, e também mais pronta para viver com “bom” humor, para aprender com os erros e acertos, com as experiências de meus filhos, com todos os que amo, e com qualquer pessoa que caminhar comigo.

Não creio que este momento me levará para algum outro lugar que não seja perto de Deus. Aliás, nada pode me separar de mim mesma, logo, nada pode me levar para longe do que já habita em mim.
Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” (Livro de Romanos, cap 8, vers 35).
Disto estou certa, portanto, prossigo sem culpas. Mais vale a transparência que a aparência.
Só não não vale fechar os olhos. Cada dia, um novo olhar sobre Deus, sobre os mistérios, o sobrenatural... Um olhar diferente sobre a vida. Mas sempre algum olhar.

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Se você estiver disposto hoje. Eu o encorajo a ler todo este trecho da Bíblia Sagrada: Livro de Romanos, cap 8, pelo menos do verso 16 ao 39.

Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...