quarta-feira, março 31, 2010

PÁSCOA


Parábola do Semeador:

“Eis que o semeador saiu a semear.E quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;Mas vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram, e sufocaram-na.E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mateus 13)

Isto me faz pensar que qualquer esforço é vão se não houver uma boa terra, um coração pronto a ouvir, uma predisposição emocional, ou uma simples vontade.

Historicamente, os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante o Pessach, data em que os judeus comemoram a libertação de seu povo escravizado no Egito. Cada família sacrificava um cordeiro sem mancha e passava o sangue nos umbrais de suas casas, para que o anjo da morte não tocasse onde estivesse a marca de sangue do Cordeiro.
Podemos imaginar, então, que se não fosse Jesus, a Páscoa seria um evento tipicamente judeu.
Mas a nossa Páscoa não é apenas histórica, é também e potencialmente "transcendente"! Com sentido análogo, lembramos um cordeiro que foi Deus entre os homens, e que de entre eles misteriosamente saiu, rasgando os limites do sobrenatural, vencendo a morte, e trazendo vida abundante! Jesus transcendeu a vida, e nós celebramos, na Páscoa, um novo sentido para esta vida, um sentido de "eternidade", uma vida transcendente e imanente em Deus, finita em fôlego, mas renovada em esperança, e que, seja como for, tem continuidade em sua fonte!

A forma humana que Deus escolheu para estar entre nós foi JESUS, e n'ELE resumiu os valores de diferentes culturas em uma só semente – o Amor!
Só um amor assim, misterioso e impossível de se imaginar, poderia doar-se à morte para garantir vida com abundância de sentido a todos de sua criação que abrissem a boa terra de seus corações para sua semente!
Celebrar a Páscoa, hoje, é celebrar a vida,
É celebrar a garantia de paz, felicidade
transformação e esperança
que têm aqueles que assim crêem.

terça-feira, março 30, 2010

Grito de Maturidade


Abaixo a passividade
Desta maturidade
Sempre a se conformar
Se perde, parte ou reparte,
Em uma simples metade
Constrói castelos no mar,
Onde quebram ondas bravias
E se mergulham poesias,
E sonhos conseguem nadar...

Que mudem os conceito,
As formas, os defeitos,
Os planos que, mal feitos,
Fizeram-me infeliz!
Que caiam as barreiras
Que a vida companheira
De forma sorrateira
Insiste em construir.
Que rompam obstáculos
E ajuntem-se os cacos,
Pedaço a pedaço,
Do que assisti cair.

Que cessem os movimentos
Do mundo por um momento!
Existam Eu e VOCÊ!
E com papel e tinta,
Pintemos em cores lindas
Um mundo p’ra se viver!

segunda-feira, novembro 09, 2009


Tenho aprendido que aquilo a respeito do que estou segura e certa, ou seja, as minhas convicções genuínas sobre a vida e as circunstâncias, não deve ser cartaz de anúncio para projeção de minha imagem pessoal, mas sim o alicerce sobre o qual construo dia-a-dia minha rotina, minhas escolhas, e de onde parte minha motivação para novos desafios e sonhos.”
(Beth Bittencourt)

quinta-feira, setembro 10, 2009

Meu Foco

Quanto mais passional minha ligação com a coisa, tanto mais verdadeira. E quanto menos ela é evidente à razão, tanto mais certa. A realidade é irracional por ser singular” (Kierkegaard )

Não me incomodo se me criticam por conjecturar sobre assuntos que “não levam a lugar algum”. Reconheço que sou passional em relação a vida. Há coisas que minha razão não consegue explicar com total compreensão, mas, sobre estas coisas, sei que me queimam o peito, me aceleram o pulso, me levam às lágrimas, me roubam o sono... São, em sua maioria, coisas tão relevantes, mas que não estão na lista de reflexão de todas as pessoas.

Quando se é criança, o mundo é uma enorme caixa lúdica – seja qual for a magnitude da fantasia ou o universo de realidades em que se vive. Já na adolescência, a vida é um alvoroço de idéias, emoções e questionamentos, sempre na perspectiva de que viver é uma aventura, de preferência, sem limites. A juventude é o auge! É quando se olha a vida como um grande desafio, envolvendo muitos sonhos, sempre num oceano de possibilidades, afinal, há uma vida inteira pela frente! Como tão poeticamente já cantou Lupicínio Rodrigues:

Esses moços, pobre moços
Ah se soubessem o que eu sei
Não amavam não passavam
Aquilo que eu já passei
(...)
Se eles julgam
Que há um lindo futuro
Só o amor
Nesta vida conduz

Saibam que deixam o céu
Por ser escuro
E vão ao inferno
À procura de luz
(...)”

E é na carona do sentimento de Lupicínio que chego à maturidade; quando, finalmente, depois de muitas tentativas, fracassos e sucessos, sinto-me como se estivesse pronta para usufruir a vida com a devida medida, intensidade e propósito. Curioso, pois é justamente aqui, em meio esta maturidade pronta, que me abro para o autoconhecimento, para a compreensão do mundo e das coisas, para rever relações e escolhas.
Mas como? Essas emoções não combinam! Reflexão e ação não deveriam acontecer assim, tão simultaneamente. Talvez, então, este seja o motivo real de buscarmos a longevidade! Um corpo saudável, uma mente culta e bem informada, combinados com as experiências do passado, autoconhecimento e uma melhor relação com o outro. Perfeito! Talvez, nesta combinação, eu esteja de fato pronta para usufruir a vida na medida e intensidade adequadas à felicidade. Mas será que tenho percebido desse modo? Ter chegado até aqui, ter vivido o que vivi, de fato tem me feito compreender que esta oportunidade pode valer ouro? Que padrões e valores têm sido, na prática, meu objetivo de perseguição diária?

Não é loucura que tanta gente adulta esteja usando a longevidade para ainda olhar a vida como uma caixa lúdica? Não há limite para sonhar, eu sei. Mas é preciso dividir, respeitar e viver sonhos menos egoístas e mais compartilhados! Alguém disse um desses provérbios populares de cartões: “sonho que sonha junto não é sonho, é realidade”.

É, meu caro Lupicínio, não são apenas os jovens que "deixam o céu por ser escuro e vão ao inferno à procura de luz!"...

É lamentável, mas, como o ser humano é livre, suas ações não necessariamente seguirão esta minha interpretação.

Cada pessoa traz consigo suas lembranças, suas histórias de alegrias, tristezas, seus traumas, medos, frustrações, etc., e cada um se relaciona com isso a seu modo. O aprendizado, obviamente, também é diverso, tal qual as ações resultantes dessas experiências.
E é neste contexto que eu focalizo meu mundo. Por isso, por mais que estejam olhando numa mesma direção, o foco e a interpretação da vida (que é o que gera os sentimentos e as impressões) não será o mesmo entre diferentes pessoas, como também poderá não ser o mesmo em uma determinada pessoa ao longo dos anos.
"O fato da existência pode ser indubitável. Já o sentido e a interpretação da existência não são únicos e indubitáveis, são diversos e diferentes"
(Rita Josélia da Capela Pinheiro, in O Homem, a Angústia e sua Existência – um estudo sobre Kierkegaard )

Aí, talvez, esteja parte das nossas frustrações nos relacionamentos, pois aquele que divide comigo a estrada não tem que pensar exatamente como eu, e nem ter as mesmas impressões que eu tenho sobre as coisas e a vida, e, para algumas pessoas (e eu me incluo nisso, em parte), isto frustra.
Nem todo mundo vê o que eu vejo, do jeito que eu vejo, mesmo que esteja olhando para a mesma situação e caminhando a mesma estrada... Isto se aplica a muita coisa na vida. Isto me frustra sim. Até porque não tem sido enriquecedor caminhar com algumas pessoas...
O bom do diferente é quando a gente se sente desafiada no convívio e acaba se percebendo alguém melhor, vendo a relação andar, crescer. Gente diferente que não quer sair do lugar (entenda-se lugar por um monte de sentido: situação, estado de espírito, aprendizado, etc) não nos persuade, não nos impulsiona, não se move e nem nos move! É diferente de mim e é indiferente pro mundo! Gente que não abre os olhos. Não abre a janela da alma!

Não me julguem por demais pretensiosa. Eu gosto de pessoas de todos os tipos, e acredito que a diferença é uma benção para os relacionamentos. Só não me faz feliz seguir ao lado de gente superficial, que se limita no que vê sua razão, e sonha sempre no singular da realidade.

Gente passional é assim mesmo. Difícil de conviver. Como eu! (risos)

terça-feira, agosto 18, 2009

Espelho, espelho meu...

A lenda de Narciso (surgida provavelmente da superstição grega) possui um simbolismo que fez dela uma das mais duradouras da mitologia. Narciso era um jovem de singular beleza. No dia de seu nascimento, um adivinho profetizou que ele teria vida longa desde que jamais contemplasse a própria figura. Indiferente, seu egoísmo provocou o castigo dos deuses. Ao observar o reflexo de seu rosto nas águas de uma fonte, apaixonou-se pela própria imagem e ficou a contemplá-la até consumir-se. Dizem que, no lugar onde ele morreu, nasceu uma flor, que ficou conhecida pelo seu nome: Narciso. Na psicanálise, o termo narcisismo designa a condição mórbida do indivíduo que tem interesse exagerado pelo próprio corpo.

Não sei exatamente quando o espelho passou a fazer parte da vida da humanidade, talvez em histórias como esta ou a da sereia IARA, das bruxas dos contos de fadas, mas no momento em que isto aconteceu, este simples objeto adquiriu proporções que ultrapassam a futilidade.

Todos nós, num dado momento, tememos o espelho. Quando jovens, nem tanto, porém, com o passar dos anos, começamos a evitá-lo e, ao mesmo tempo, ainda que disfarçadamente, a sós, parecemos ter certa necessidade de mirá-lo...

A mitologia é mesmo muito curiosa e interessante. O tempo passou, o mundo mudou, e aqui estamos nós, numa complexa relação com o tal espelho. E esta complexidade não se restringe ao físico, à cultura do corpo e suas exigências. Acho que inconscientemente, vivemos alguns conflitos com outro espelho...U
m suposto espelho que projeta o invisível de nossa intimidade, nossas frustrações, medos, que nos coloca frente a frente com o irreversível do que nos tornamos ao longo dos anos.
É complicado enxergar-se e reconhecer-se, sem de fato, compreender-se e admirar-se.

De certo há muito que se orgulhar, há grandes conquistas pessoais, sonhos realizados, até milagres... Mas, como talvez tenha tentado definir Fernando Pessoa:

"Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim।

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem।

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou।

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim. "

Entre mim e o que em mim...
Entre quem eu de fato sou, e entre as minhas muitas imagens refletidas no rio; entre minha alma e minha vida vivida... Entre esses muito “eus”, corre um rio sem fim...
Um rio de frustrações, de dúvidas, incoerências, coisas pela metade, e também um rio de sonhos! Muitos sonhos. O que acredito ainda faz o rio correr... O nosso espelho d’água.

Se projetamos nossa imagem e a definimos a partir das relações com as pessoas e circunstâncias, estes (as pessoas e as circunstâncias) supostamente tornam-se nossos espelhos, e nós, espelho dos outros. Pense bem: Nesses relacionamentos espelhados, nos mais variados sentidos, há que se considerar as possíveis distorções, exageros, supervalorizações. Qualquer imagem sofre variações quando passa pelo outro, pelas coisas, e provavelmente comprometerão a reprodução do “eu”.

A visão mais confiável seria, então, aquela que não se projeta, mas que se revela na viagem ao centro de si mesmo.

"Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é,e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles." (Bob Marley)

Não é preciso ter uma história de vida perfeita, uma trajetória reta e sem imprevistos, nem tropeços, mas é bom ter consciência dos caminhos por onde já passamos, onde estamos e até onde pretendemos ir; sentir prazer e ver sentido em cada uma dessas etapas. Saber que o centro do universo não mora no nosso “umbigo” e que a vida e seus reflexos não se limitam a nós. Nossa vida não foi um acidente, por isso, somos mais do que o que nos mostra qualquer espelho.
Se conseguirmos considerar assim, tudo fica mais suave de se ver, e nossa imagem passa a ser refletida com inteireza, numa constante possibilidade de ver-se, rever-se, reverenciar-se e aperfeiçoar-se, em si, nos outros e em Deus.


Olho para o meu espelho e sei quem sou ereconheço minhas limitações.
Não me menosprezo, nem me ensoberbeço, apenas descanso na paz de amar a mim mesma e, assim, ser capaz de amar de verdade minha família, meus amigos, e até, de modo misterioso, aqueles com quem não convivo, mas que sofrem, têm fome (de todos os tipos), frio, e que podem cruzar fisicamente o meu caminho ou simplesmente ser parte do meu pensamento e de minha oração.

“Amar ao próximo com a si mesmo e a Deus, sobre todas as coisas”.

Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...