segunda-feira, novembro 28, 2011

Sobre Relacionamentos...


É muito bom mudar, celebrar novas amizades, explorar o desconhecido...
Mas a gente acaba se dando conta do valor de se manter relações duradouras e de cumplicidade, qdo não encontramos mais ao nosso redor alguém a quem não tenhamos que explicar muito o que passou para que compreenda nossa dor ou nossa alegria sobre as circunstâncias presentes...

domingo, novembro 27, 2011

Vaidade sobre vaidade


Elogios não me envaidecem, me constragem. Fico muito sem graça ao recebê-los. Prefiro o efeito prático das minhas prováveis qualidades influenciando pessoas e circunstâncias do que sabê-los assim, explícitos, seduzindo meu ego. O que a gente é, a gente é sendo. O que eu quero mesmo é ser um espelho, e não um móvel polido pela vaidade.

quarta-feira, novembro 16, 2011

O Botão Mágico



Comentário da minha filha um dia desses:
Mãe, você não tem a impressão de que o que existe  é só o momento que você está vivendo? Agora, por exemplo, parece que , no mundo todo, a única coisa que existe é isso aqui, o que está  acontecendo no lugar onde a gente está. Você também sente assim?

Não é curioso e mágico que as crianças do nosso mundo globalizado ainda consigam reter dentro de si  esta sensação? Apesar de toda invasão dos meios de comunicação, e todos os recursos disponíveis, inclusive redes sociais que também as afeta, este encantamento persiste inconscientemente em habitar a alma infantil?  Só receio que isto não seja uma regra.

A infância é mesmo adorável, independente das circunstâncias adversas. Sim, eu sei, existem coisas duras como fome, miséria, violência e muitos outros contratempos a que são injustamente submetidas nossas crianças, e isto afeta a poesia e a beleza desta fase tão preciosa; mas tal habilidade de “abstrair”, fantasiar e de ignorar o que está fora do mundo lúdico em que normalmente estariam inseridas é positivamente invejável, e faz razoável diferença ao enfrentarem o sofrimento e desafios da vida.
Lembro-me vagamente desta experiência, mas pelo menos ainda consigo compreender a que minha filha estava se referindo.

Hoje, já adultos, o exercício é contrário. Não são raras as terapias disponíveis justamente para ajudar o indivíduo a se desligar, relaxar, e procurar trazer à memória aspectos positivos sobre o cotidiano, sobre si mesmo, seus conflitos e problemas de peculiaridades e áreas diversas. Quantos de nós não se flagra diariamente em tentativas semelhantes,  não necessariamente estimulados por terapias, mas por decisão pessoal, pela consciência de que precisamos sobreviver, minimizar o stress e evitar as muitas síndromes e depressões? Quantas vezes não desligamos a TV, mudamos o canal ou simplesmente olhamos para o outro lado, evitando  que os acontecimentos, mesmo ainda não sendo conosco, influenciem nosso dia-a-dia, alguns deles chegando a nos consumir e angustiar?

Puxa vida! Onde será que fica o tal botão mágico na psique humana? Talvez, se resgatado,  pudesse nos transportar à uma ilusão (pois a esta altura, não há mais como ser lúdico) capaz  de nos poupar da realidade amarga e aparentemente sem solução que se tornou esta vida vivida.

Você pode escolher perguntar às crianças. Eu não perguntei à minha filha. Não tive coragem. Na verdade, foi ela quem me perguntou se eu não me sentia do mesmo modo. Lembro-me de ter respondido apenas que sabia o que ela estava querendo dizer, e que era realmente muito interessante a sensação, mas que os adultos não conseguiam sentir-se assim todo o tempo por causa das muitas responsabilidades e preocupações que têm, principalmente depois que os filhos nascem, pois, a partir daí,  um pedaço da nossa vida passa a andar fora do nosso corpo, então, não há como pensar que só existe o que está naquele nosso “particular”, no nosso momento presente, principalmente se o filho não estiver junto com a gente.

Não sei se, na prática, ela entendeu. Nem vale a pena conferir. Quanto mais tempo demorar, melhor.

Duro é pensar que existem crianças que já não mais convivem com esta experiência lúdica,  crianças das quais tão cedo foram roubados sonhos, imaginação e fantasias.  Quem os  roubou? O mundo real  provavelmente invadiu a alma daqueles que poderiam ser sua inspiração (pais, amigos, professores) de tal forma que o botão mágico da psique automaticamente se desligou para não causar danos ainda maior. Não é assim que acontece com as instalações elétricas?

Só sei dizer que estes tsunamis diários de fatos, versões de fatos, prognósticos tolos (alguns nem tanto), catástrofes  e detalhes sórdidos de cenas de violência evidente, tudo isto está me causando um curto-circuito emocional. Tudo indica que não há como frear o ritmo acelerado e intenso dessas informações, por isso, tenho buscado gerenciar minha sintonia. Sempre que puder, redirecionarei meu olhar, e decidirei qual botão, então, ligar.

Não, crianças, infelizmente não existe apenas o nosso “aqui e agora”. Mas, parafraseando o pensamento  de Richard Bach: “Se a nossa vida depende de coisas como o espaço e o tempo, então, quando finalmente ultrapassarmos o espaço e o tempo, teremos destruído a nossa fraternidade! Mas, ultrapassando o espaço, tudo o que nos resta é aqui. Ultrapassando o tempo, tudo o que nos resta é agora. E, entre aqui e agora, você não crê que poderemos tentar ser felizes?” (1)
Dentro desta perspectiva,  o paraíso é uma questão pessoal (2).

(1)   In "Fernão Capelo Gaivota"
(2)  Título de um dos livros de Richard Bach


segunda-feira, novembro 07, 2011

Frustração...


Sempre que criamos expectativa sobre alguma coisas e pessoas, há um risco iminente de nos frustrarmos. Um dos segredos da boa convivência tem a ver com nossa capacidade de reagir à frustração sem amargura, não projetar nossas reações na proporção da ação do outro, e conseguir renovar o ânimo diariamente. Ou seja, não importa o que ou quanto o vento nos leve, vale tentar ser Scarlet O'Hara a cada amanhecer!

quarta-feira, outubro 05, 2011



Sou um vocábulo sem tema,
E até sem radical,
Sou um discreto morfema
Assim, meio sem sal...

Mas todos os meus sufixos
Passam por tua oração
E aos poucos vás me compondo
Nas linhas do coração.

Nos gestos e nas poesias
Que construo ao me conjugar
Percebo que sou feminino,
Mas não sou mais singular...

Vivendo sou plural,
Somos todos,
Sem hesitar.

Plural é ser muito, é ser tudo,
É somar.
Plural é a vida, é o mundo,
é se dar.
É tudo que faz sentido
São todas as orações,
É amar!


quinta-feira, setembro 22, 2011

Fico lembrando da época em que eu elaborava menos... 
Sabe de uma coisa? A razão é um filtro muito bom, mas, às vezes, ela parece funcionar como nutricionista da alma: é importante, é saudável, mas retira do alimento a gordura e o açucar, que talvez sejam realmente desnecessários, mas que trazem sabor e prazer!
A gente começa a entender mais, só que perde a sensibilidade.

Tem coisa que hoje me parece loucura, mas que me sustentava de pé enquanto nelas acreditava!

quarta-feira, agosto 24, 2011

Por Um Mundo Melhor


A marginalidade não é mais um “assunto” a se discutir, mas um movimento contra o qual precisamos lutar; tornou-se um segmento da sociedade, um partido filosófico de atuação rebelde, arbitrária e sanguinária que envolve a própria comunidade de berço em sua defesa e cobertura, mesmo que de modo acuado.
Alguns bairros das grandes cidades, dependendo da proximidade com estas comunidades marginais, transformam-se em “quintal” de indivíduo criminosos, de seus filhos e discípulos. Pasmemo-nos, mas as crianças das chamadas favelas se “inspiram” nesses anti-heróis por seus feitos e, enquanto brincam neste enorme quintal, desafiam-se e ousam pequenas abordagens ou mesmo se planejam em grupo (tipo arrastões) para jogar polícia e ladrão de um modo bem mais realista e emocionante. É uma grande brincadeira que põe em risco milhares de vidas de trabalhadores, pais, mães e crianças indefesas, criadas com outro tipo de brincadeiras, as do tipo realidade virtual.
A questão é muito mais complexa do que podemos imaginar.
A ideia de que o indivíduo bandido era fruto de condições desfavoráveis de vida foi-se pelo ralo social... Já era! Isso não mais existe em proporções que justifiquem esforço e investimento financeiro nas bases familiares. Sem dúvida há que se prestar constante atenção aos problemas com infraestrutura dentro dessas comunidades, mas isto tem a ver com direito do cidadão, com saúde e higiene; porém não justifica mais argumentarmos que uma vez que os cidadãos moradores dessas áreas forem assistidos com respeito e qualidade de vida, teremos impacto proporcional na diminuição de pequenos delinquentes! A coisa é justamente oposta! A permissividade, o acesso fácil a bens materiais sem fortalecimento de valores, a lei do pouco esforço, nenhum estudo, tudo isto e muito mais aliados aos maus exemplos (inclusive de governantes), às leis incoerentes e à evidente impunidade, acaba construindo um império de marginalidade.
A criança não nasce um bandido, mas vai crescendo um dentro dela. Ela vai praticando furtos não mais para obter o que precisa por ser pobre, mas sim porque é assim que se faz. Porque muito provavelmente ela tem tudo, mesmo não tendo nada. Acreditem: dentro de suas casas nessas comunidades, os moradores têm eletrodomésticos, jogos, computadores, e uma enorme lista de itens que muitos de nós talvez ainda não tenhamos tido oportunidade de adquirir com todo trabalho suado e dedicação pessoal! Essas aquisições provavelmente foram oferecidas pelo crédito fácil ou pelo furto dos mais velhos, mas fato é que o adolescente e as crianças já não lutam mais para conquistar coisas, eles roubam, simplesmente porque é assim que se faz, é assim que se divertem, e o fazem com tranquilidade porque não há lei que os obrigue a se submeterem a outro tipo de ocupação, nem mesmo uma lei que os intimide ou penalize!
Mas não é somente o bandido e o acesso às drogas que cooperam para a proliferação desse tipo de crianças-infratoras e já pequenos marginais. As famílias, a mamãe que dá tudo, as compensações sem regras, as instituições de portas abertas, mas sem uma missão clara e compromisso dos envolvidos com os conceitos e não apenas distribuição descontrolada de doações, etc. Não podemos ficar sempre dando o peixe, precisamos ensinar a pescar. De verdade. Devo deixar aqui também claro que estou considerando uma parcela razoável de organizações não admiráveis, mas sei que algumas iniciativas desenvolvem trabalhos maravilhosos e de valor, portanto, são dignas do meu reconhecimento.
Eu sei que é muito complicado, mas a compreensão do problema precisa ir sendo decifrada aos poucos por todos nós para que possamos investir melhor nossas considerações, o investimento de nosso tempo, dinheiro e outros recursos. Mesmo sendo um trabalho longo e de formiguinha, há que se estar seguro e engajado. Obviamente muitos de nós não iremos usufruir dos resultados, de repente nem mesmo nossos filhos chegaram a colher os frutos de nosso esforço, mas as ações de hoje precisam estar pautadas em uma reflexão mais profunda, sobre prisma e pontos de vista corretos, ou pelo menos o mais próximo possível do realmente necessário e eficaz. Quanto não temos colhido no mundo fruto, por exemplo, do sonho desenfreado, mas engajado da geração Hippie! Parece louco isso, mas proteger o planeta não é filosofia de agora! Agora, usufruímos de uma consciência elitizada da causa, mas, gostemos ou não, nasceu no movimento hippie!
As manifestações coletivas, os abaixo-assinados, todas essas coisas são de grande valor, e quanto mais gente engajada, maior a contribuição. e a chance de obter-se comprometimento das autoridades, sem dúvida, aumenta; mas precisamos também, de uma vez por todas, entender o conceito de transformação da sociedade pela atitude individual. A minha oportunidade de fazer diferença e impactar em mudanças não está somente nessas grandes manifestações, mas também e talvez principalmente nas minhas ações e reações pontuais. A minha chance de fazer discípulos pode ser uma forte concorrência para a marginalidade, portanto, seria bom que prestássemos atenção como aproveitamos as situações para compartilhar valores, como tratamos as pessoas e como educamos nossos filhos neste sentido. A minha funcionária em casa, por exemplo, pode ser mais do que alguém que me serve na logística, na correria e nas mordomias, ela pode ser a pessoa com quem desenvolvo um relacionamento saudável e carinhoso, mas não porque faço doações com o que não me serve mais, e sim porque aproveito para ajuda-la a compreender valores, ensino coisas relevantes, e até posso influenciar suavemente as decisões e atitudes dela com sua família, promovendo, assim, uma grande corrente do bem.
Mas tudo isso tem que ser mais que teórico. Se o objetivo é vencer uma guerra. não pode haver superficialidade. A nossa maior arma será sempre a combinação do que cremos, como agimos e contra quem lutamos.
Há que se reconstruir o ser humano, não só o marginal. E a nossa guerra é muito mais do que lutar contra esses indivíduos, é talvez uma batalha contra o invisível, mas que eu acredito se revelará quando se movimentar em meio a uma luz gerada pela multidão de gente com boa intenção, boa ação e fé.

Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...