terça-feira, novembro 08, 2016

Andar junto e Pensar alto...

Qualquer relação onde não haja espaço pra se "pensar em voz alta"
está fadada à solidão de alma de uma das partes, ou de ambas. 
Dure o quanto durar sua aparência ou formato, em algum momento,
o conceito será abalado e perderá seu valor. 
Emoções ocasionais até poderão revelar um bem-querer, mas esconderão angústia e frustração.
 Não haverá verdade a ser admirada, pois tudo não passará de vitrine da ilusão... 

terça-feira, outubro 11, 2016

Escolha Uma Vida Abundante


Se algo é verdadeiro, honesto, justo, amável, bom, se há virtude e se merece seu reconhecimento... Já está dito! Pode escolher e continuar, pois muito provavelmente deverá te fazer feliz. O contrário é legítimo: Se algo é mentiroso, desleal, cruel, injusto, indigno e mesquinho, também já está dito! Então, qual é a sua dúvida?!

Quanta gente infeliz e oprimida, com suas vidas à sombra de promessas humanas, à espera de milagres que limitam a ação divina à palavra de uma liderança ou a respostas sobrenaturais acompanhadas de eventos que beiram o ilusionismo...

A religião acaba manchando sua missão maior quando espalha noções de certo e  errado vinculadas a dogmas e culturas, e incentiva uma vida de devoção à mecanismos “chamados” espirituais que só se revelam impulsionados por sacrifícios pessoais, e que são vendidos como benefícios não desfrutáveis em vida. Ou seja, vidas emocionalmente despedaçadas, que persistem agonizando seus esforços para restaurar situações e histórias que não mudam!

Qualquer que seja a plenitude da experiência pós vida, seu formato ainda não nos foi denotativamente revelado, e toda nossa esperança a este respeito define nosso modo de viver, e não de “deixar de viver”! O tempo de ter vida abundante é agora; e a voz de Deus sobre nossos problemas, escolhas e decisões não ressoa só no sublime, mas nas evidências diárias da sua presença entre nós, e em nós.

A gente pode esperar para realizar um sonho, mas não para ser feliz ou para ter paz. E não existe conselho espiritual, místico, esotérico, ou o que for, mais confiável que as evidências que nos aprisionam e agridem todos os dias. Como disse Caetano, Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é; então, porque não agir confiante nesta evidência simples e poderosa?

Hoje é dia de tomar decisões que nos tragam paz e bem estar, que nos revigorem e nos renovem a esperança.

A gente é feliz quando consegue desfrutar do livre arbítrio com a serenidade de quem se reconhece dentro de um plano maior, e que entende que, por isso mesmo, a grandeza de suas perspectivas e propósitos de vida serão inevitavelmente reflexo e projeção de conceitos que transcendem a superstição e a intolerância. Não tem como errar! Decida e siga em frente. Vou repetir, para ajudar:

Se algo é verdadeiro, honesto, justo, amável, bom, se há virtude e se merece seu reconhecimento... Já está dito! Pode escolher e continuar, pois muito provavelmente deverá te fazer feliz. O contrário é legítimo: Se algo é mentiroso, desleal, cruel, injusto, indigno e mesquinho, também já está dito! Então, qual é a sua dúvida?!

Ah! e “não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal” (Mateus 6:34)

domingo, outubro 09, 2016

Pedras


Pedras sobre águas a rolar
Pedras nos outros atirar
Pedras sobre assuntos colocar
Pedras para folha não voar
Pedra sobre pedra não ficará!

Pedras alicerçando lares
Pedras impedindo caminhos
Pedras sendo rochas nos mares
Pedras na vida... e espinhos...

Pedras em muitos sapatos
Apedrejada...
Tropecei, caí, levantei
Na pedra  da esquina segurei
Forte na Rocha me firmei

Ah!...
Pedras para enfeitar!
Pra guardar, e recordar...
Seja qual pedra for,
É bom ter uma perto, 
no caso de precisar.

Quem atira a primeira pedra
Acaba por desperdiçar!

quarta-feira, outubro 05, 2016

Sou só Eu.

ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão” 
(Clarisse Lispector)




É inevitável.
Em algum momento, chegaremos a esta conclusão.
Por mais resolvidos que sejamos, por mais amigos que tenhamos, por melhor que sejam nossas relações, e por mais que busquemos entendimento em livros, em terapias, em Deus...
Seja como for, a gente, uma hora ou outra, acaba esbarrando nesta dor, a dor da constatação de que haverá sempre uma discreta e necessária solidão...
A fé pode  minimizar bastante os fatos, mas certas coisas vão continuar sempre dependendo só de mim. E isso vai doer. Mas faz parte da interminável construção do EU.
A notícia boa é que quanto mais doído, mais fortalecido. Então, melhor deixar doer, e esperar que vai passar!


domingo, agosto 07, 2016

Perguntaram-se sobre a febre do PokemonGo...



Nasci em lar cristão-evangélico, e vivi minha adolescência por lá, nos idos anos 80. Uma época onde Gospel não era “moda”; cantores cristãos e padres modernos não habitavam a mídia com popularidade,  nem os ritmos das canções chamadas “sacras” variavam além do tradicional americanizado ou abrasileirado no estilo sertanejo (ainda que imperceptível). Ou seja: bem diferente da atualidade.

Na mesma época, lembro-me perfeitamente que, em determinadas denominações e seitas,  a guerra entre Deus e o Diabo era conhecida por manifestar-se misticamente no plano físico, dentro e entre as pessoas da comunidade. Era como se os “crentes” vivessem num plano paralelo de santidade; santidade esta que se evidenciava forte e pretensiosamente na aparência de alguns fiéis: não cortavam cabelos, não usavam short, calças compridas ou saias curtas; não dançavam, nem frequentavam ambientes “mundanos”, tipo danceterias, festas juninas ou coisas parecidas. Os shows de exorcismos roubavam a cena da liturgia eclesiástica. Feita para gerar um ambiente de adoração e contemplação, a atmosfera do culto acabava perdendo o propósito e tornava-se ringue das das lutas entre “deus e o diabo”...

Contemporâneo a todo este absurdo dogmático, havia também uma febre de “guerra às mensagens subliminares do mal” presentes em músicas, quadros, jogos, TVs e algumas outras mídias. De lá pra cá, muita coisa  mudou. Saudosismos e nostalgias à parte, ganhamos muito. Mas acredito que ainda existe um longo caminho a percorrer.

Recentemente, chegou ao Brasil a tão esperada febre do PokemonGO – algo mais ou menos assim:  um joguinho que se vale da câmera dos smartphone, GPS e mapas reais das cidades para trazer a sensação de que o mundo real se une ao virtual espalhando “monstrinhos” esperando para serem caçados. O lançamento do aplicativo trouxe à tona uma série de notícias bizarras nas redes sociais. Novamente o universo espiritual está sendo evocado como a grande mente engenhosa por trás do jogo. Nessas notícias, PokemonGO virou ferramenta de alienação e terrores noturnos infantis, influência diabólica, uma nova porta aberta para entrada do mal nos lares!

É impressionante como reduzimos o Divino e as coisas espirituais ao tamanho de nosso cérebro, neuroses, visão curta, distorcida e descabida!

Sempre que me deparo com eventos desse gênero, lembro-me das mensagens subliminares e os muitos outros  “demônios” que aprendi evitar desde pequena para não ser “contaminada” e receber a tal marca da Besta! E o que isto fez de bom por mim? Ouso dizer que minhas maiores e mais doloridas quedas na caminhada teve a ver com o que não me contaram, com o que não me deixaram ver e ouvir, e não me explicaram.

Os quadros com monstros escondidos, os discos tocados ao contrário e o medo de “errar com Deus” não me tornaram um ser humano melhor, nem mais espiritualizado. Infelizmente acabei errando muito para conhecer parte do que de Deus eu pude conhecer até hoje, e que ainda me parece tão pouco...

Queria ter errado  menos, mas não foram as mensagens subliminares as responsáveis por minhas fraquezas, nem qualquer outro aparente tropeço; fui eu mesma, meu ego, meu livre arbítrio, minhas escolhas. Mas... Como Deus é muito maior do que nossos conceitos arrumadinhos, foi justamente nos desvios da estrada e nas experiências humanas (e não com monstrinhos virtuais) que fui aprendendo sobre o bem e o mal, sobre perdas e ganhos, sobre chorar e sorrir...

Queridos, todos estes nossos conceitos são fruto de limitação humana. O próprio Jesus disse: “...seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens. Ouçam e entendam: O que entra pela boca não torna o homem mal; mas o que sai de sua boca, isto sim o torna mal ". (Mateus 15:8-11)

A tecnologia ainda nos reserva  muita coisa que nos deixará boquiabertos - refiro-me a minha geração.  Não temos que necessariamente nos assustar com isto, mas podemos inclusive nos encantar, e usufruir o quanto der, e nosso cérebro idoso conseguir atingir!

Eu acredito que a solidez e o equilíbrio das  futuras gerações (e até de nós mesmos) não está nas novidades cibernéticas e nos avanços tecnológicos! Na minha opinião, gente feliz é gente resolvida, que se aceita, se ama e respeita, e que ama e respeita o outro; e só sabe amar quem recebe amor, pois só se aprende profundamente o que  é experimentado.

“Conte-me, e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas me lembro. Envolva-me e eu compreendo” (Confúcio)

Quem ama, envolve, ensina e aprende, e vive em paz. E quem vive achando diabo em tudo, definitivamente não vive em paz.



segunda-feira, julho 18, 2016

Aterrorizados, mas não derrotados.


Olhar para o terror e ainda apostar num “inferno” como recompensa mítica é, no mínimo, preguiça de pensar. O nosso real galardão é paz, amor e justiça; novos céus, nova terra, e vida eterna. Não existe figura feia, com chifre, rabo ou tridente capaz de devastar mais o ser humano que o próprio ser humano que abre a porta da sua alma para o mal. Não existe maior demônio que o nosso EU que, acreditando-se absoluto e com poder, influenciando ou sendo influenciado, dedica-se a  seduzir o mundo contra a paz, o amor e a justiça, confundindo seus valores e roubando-lhe a esperança.  
O inferno não são apenas os outros, como dizia Sartre, o inferno somos nós, a partir de nossas escolhas e portas abertas, a partir do que fazemos com nossas angústias, nossos sofrimentos, vaidades e ambições; e isto pode ser catastrófico em qualquer lugar e forma de expressão. Pode estar num púlpito explorando fiéis, num quarto planejando suicídio, atirando contra inocentes, explodindo ambientes, valendo-se da dependência e do sofrimento dos frágeis para tráfico e prostituição... A nossa guerra diária já é contra o mal. O Terrorismo é apenas uma das muitas faces do inferno.
Mas e as vítimas? Bom... Eu concordo e acredito no mesmo que afirmou Teilhard de Chardin: “Não somos seres humanos vivendo uma experiência espiritual, somos seres espirituais vivendo uma experiência humana”. Daí, nosso livre arbítrio tem o papel fundamental de definir o lado que escolhemos ficar. Todos estamos numa peregrinação terrena, o que implica em esforços e fortalecimento constantes para as grandes e pequenas batalhas diárias. A nossa luta não é meramente física e emocional, vai muito além disso. Humanamente falando, todos somos aparentes vítimas, em algum momento. O ideal seria que os nossos propósitos de vida  estivessem alinhados com a premissa de que o tempo urge, precisa fazer sentido, e deve agregar valor. Deixar um legado não é exclusividade de ricos e famosos; todos temos “a parte que nos cabe neste latifúndio” *, e nossos exemplos, influências e inspiração precisam ser levadas a sério, como quem passa adiante um bastão numa maratona.
Não obstante as inevitáveis consequências do sofrimento humano em toda sua amplitude e esfera, a vida é um dom, e mesmo que esta nos seja ceifada enquanto experimentada em forma humana, não deve ser menosprezada, pois a cereja desse bolo estar por vir, a guerra em si já foi vencida. Nossa missão  é resgatar a cidadania divina – em nós e nos outros, para que, um dia, quem sabe, já não existam mais perdidos pelo caminho...
Assim, se sairmos de cena, voltaremos à fonte; todos nós -  A quem a vida, a vida; a quem a morte, a morte.
E, para aquilo que eu ainda não entendo, escolhi as palavras do Apóstolo Paulo em sua carta aos Corintios como verdade:

"Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;
quando, porém, vier o que é perfeito, o que é imperfeito desaparecerá.
(...)
Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.
Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor."

* Poema - Morte e Vida Severina


Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...