domingo, abril 28, 2019

O Silêncio dos Bons


Este texto não é um texto laico. Mas também não é um texto religioso. É só um desabafo, endereçado a pessoas específicas que não estão aqui especificamente especificadas.

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” (Martin Luther King)

Em minha opinião, nem precisa ser tão bom; a menor fagulha de discernimento e leveza é bem vinda em meio a tanto grito insano. Porque os que têm gritado também não são necessariamente maus; é gente conivente, gente que se deixa levar pela cor dos olhos, pelos textos decorados...  Infelizmente, conscientes ou não, essa gente grita junto com o mal, acreditando sincera e ignorantemente em seus mantras. Sinceramente eu não subestimo essa ignorância não, muito pelo contrário, isso chega me dar arrepios, só por lembrar de momentos assustadores na história que foram fruto desta mesma insanidade.
É tão triste perceber quão patéticos somos.

“Não há um justo, nenhum sequer” (diz a Bíblia que tantos resolveram ressuscitar para seu bel prazer). Sim, não há mesmo. Dentro desta premissa, obviamente, não seria razoável colocar a mão no fogo por ninguém, nenhum representante, por melhor que seja, conseguirá soprar sobre seu governo o pozinho mágico do bem. Mas o bem se constrói todos os dias, começando por mim, por você, por todos nós. Então, o bem está a um passo de cada um de nós, logo, o bem não é uma questão política isolada. Bom, mas isso é outra história.  O que eu quero dizer é que, embora tenha minha opinião formada a respeito do que hoje acontece em nosso país e no mundo, não tenho a pretensão de bancar de advogada desse ou daquele. Tenho procurado lidar de modo mais leve com as motivações que levaram tantos “bons” a se posicionarem politicamente diferente de mim, por isso, não vou – aqui -  argumentar em cima das suas perdas financeiras, da violência de que muitos foram vítimas, nem vou ficar perplexa por atribuírem  tudo isso exclusivamente a uma cor específica de bandeira (oxalá  fosse simples assim!). Bom, eu quase compreendo essa nossa (antiga) tendência de crucificar alguém e sentir-se redimido, apostando na segurança do que não nos desafia, mas nos acomoda.
Vou   arrazoar e entender que nem todos tiveram (ou têm) esta leitura da situação, e que fatalmente devem ter tido inúmeras razões (ou preconceitos velados), que encheram seu coração de revolta e ódio, e os levaram a uma escolha “nova”. Ok.
Partindo do pressuposto de que eu estou de boa com tudo isso, sigo considerando:
Nós, seres humanos, mortais, sem bola de cristal, só temos mesmo as evidências para direcionar nossas escolhas, e ainda assim, erraremos. É fato. Bom, mas já que temos evidências, vou propor que as usemos para compor nossa reflexão. Em tempo: evidência, neste nosso assunto, não é só roubalheira de políticos, queda da bolsa, violência e pobreza; sim, isto também é um fator relevante, um diferencial. Mas gostaria de lembrar aos “bons” e silenciosos, sobre algumas evidências que mexem com quem somos, falam do  que fomos feitos, e porque nossos dias de vida nos têm sido misericordiosamente acrescentados – e isto não deve ser com o propósito de ficarmos ricos, famosos e morarmos numa bolha. Ou para vocês é este o sentido?
Aproveitando as evidências e trazendo o à tona um dos famosos mantras – “Deus acima de Tudo”... Jesus foi claro em sua jornada terrena, em todas suas palavras e ações a respeito deste propósito, e deixou sua vida como exemplo a ser seguido. Vejamos as evidências: Ele não desprezou o corrupto cobrador de impostos em cima de uma árvore, mas também não desprezou a prostituta, nem samaritanos, nem mulheres (aliás, ele as valorizou). Jesus gostava de filosofia, de pensar e levar o povo a pensar, justamente para que entendessem o propósito e não repetissem padrões insanos. Estas são evidências que transcendem o status quo, que renovam o entendimento, sem desprezar a história, porque Jesus também não desprezou a história, muito pelo contrário, mas ELE a usou para ensinar quão importante era entender e não engessar o conhecimento. Jesus chocou multidões quebrando paradigmas e desafiando seus seguidores ao entendimento e não repetição da lei. Então, eu penso assim: Qualquer que fale em nome de DEUS e reverbere frases para parecer que O coloca acima de tudo, mas não imita Jesus, esta evidência me chama muito a atenção. Porque , para os cristãos, Jesus é a exata expressão de Deus.
Aliás, o Cristianismo é uma filosofia! É o jeito do Cristo pensar.

Mas a fé é uma história à parte desta insanidade. Porque foi para TODOS, absolutamente TODOS que o Evangelho foi apresentado, e o cristianismo do modo como o concebemos é uma das suas versões. Afinal, nossa distância do que ainda há de nos ser revelado é absurda o suficiente para não gritarmos certezas, apenas agirmos no movimento do Deus que habita em nós, porque acima de tudo ELE é, por essência, e não por jargão.

Encerro este desabafo querendo muito acreditar que os bons não ficarão pra sempre em silêncio, e os mais ou menos bons também não. Porque errar é humano, mas permanecer no erro... Bom, vocês sabem...É burrice.



quarta-feira, março 20, 2019

O Tempo Acontece em Mim



Aquele momento em que o pertencimento cósmico te atinge, te emociona com seus movimentos maravilhosos, com, por exemplo, o equinócio - o universo protagonizando a chegada de uma estação... Isso não é lindo? O outono então! Ai, que precioso!....
Pra que discutir religião, meu povo!? Render-se a esta imensidão misteriosa, profunda e magnífica, sentir-se parte sem usurpar entendimento, só sentir, reverenciar e agradecer. Esta é a melhor liturgia. Deus é isso. Este insondável sentimento de transcendência que ecoa em nós, em qualquer interpretação.

quarta-feira, janeiro 09, 2019

Confusão Meteórica numa Sociedade sem visão transcendente



Nossa noção de mundo – espacial, intelectual, social e sensorial está relacionada com nossas experiências de vida e nossas relações (em intensidade,  condições e limitações) com tudo aquilo que estiver envolvido nesse processo – do abstrato, inconsciente e involuntário, ao concreto, empírico e evidente.  Ou seja, nosso inventário humano é a soma dos sentimentos e impressões deixadas em nossa memória e em nossa biografia,  desde aquilo que percebemos nos acontecer, até o mais sutil e oculto episódio.

Somos seres vivos, afetados pela vida - uns pelos outros, muitos por muitos, poucos por alguns, etc.  Num universo metafórico da linguagem, eu diria que não somos um sujeito simples (literal e não literalmente falando), somos um sujeito composto, poluído e indefinidamente composto. Às vezes, somos oculto, e muitas vezes, indeterminado. Dependendo do tema, a questão fica complexa, os falares e fragmentos de textos não podem ser compreendidos ou considerados a partir de uma afirmação isolada, por mais que possa parecer completa e suficiente. Fato é que, em nossa construção diária, os termos envolvidos mudam e  afetam a comunicação, deturpam o sentido, e tornam-se de difícil compreensão fora de um contexto próprio. E são  muitos os contextos – político, religioso, social, pessoal, etc.

Apesar do muito conhecimento e da facilidade de acesso a este, nosso campo de visão não acompanha a amplitude transcendente que aflora na renovação do entendimento humano sobre a vida e seus falares. Enxergamos até onde alcança nossa visão limitada e sacrificada pelos traumas, por  ilusões e  por obstinações, e não ajudamos quando nos recusamos a usar outras  lentes que não passem pelo nosso ego. Com a melhor das intenções, nos agarramos a um padrão de conformidades, onde nos sintamos seguros e inabaláveis em nossas condições, mesmo que isto comprometa seriamente a definição, o tamanho, a intensidade, e a qualidade da vida para além do nosso alter ego.

Parafraseando a história, com um tom customizado, tenho a sensação de que saímos da dimensão de seres pré-históricos (tipo homem da caverna) para a Torre de Babel. É um blá blá blá de falares maquiados, mas com forte ímpeto primitivo, de sobrevivência selvagem. Falamos em nome de uma dimensão da inteligência, buscamos desenvolver habilidades cognitivas, elucubramos sobre assuntos espirituais, mas nosso fanatismo por tocar o céu com nossas virtudes próprias é tão insano e egoísta, que perdemos o senso comum,  e usamos técnicas e estratégias onde deveríamos aplicar valores, e o contrário também – manipulamos supostos valores como estratégia e troféu. Isso é ou não é uma Torre de Babel?

Estamos num limbo. O limbo entre a Transparência e a Máscara; entre o muito falar e o nada dizer, entre  o legítimo e o dissimulado, entre o sagrado e o profano.  E nossa visão turva frequentemente nos tem traído, levando-nos a noções confusas de certo e errado, de bom e mal, de feio e bonito, de rosa, de azul, e por aí vai...

Neste cenário, tudo é possível, e, ao mesmo tempo, nada parece viável. De repente, se nos detivermos com um mínimo de análise, levando em conta lágrimas, curriculum de vida sofrida, vínculos eclesiásticos, etc, encontraremos gente certa em todos os lados, gente errada por todos os cantos, caminhos parecidos, mas também nos depararemos com  trechos sombrios. às vezes, me  vem a sensação de que buscamos as mesmas coisas, mas seguimos direções inversas. Isto não seria um problema, se chegássemos em algum lugar; mas nosso jeito de olhar, e o alcance da nossa visão, como sempre, não nos ajuda muito, e nos enveredamos por atalhos desnecessários e perigosos, por não acreditarmos na cegueira do nosso ego, e nas possibilidades de nos guiarmos por outros sentidos, talvez daqueles invisíveis aos olhos. Somos um sujeito composto, mas ainda muito limitado. Os verbos e complementos não nos têm sido adequados, ou suficientes, não sei.

Isso me lembra muito a fábula dos cegos e o elefante. Conhecem? 

Fábula dos Cegos e o Elefante
Certo dia, um príncipe indiano mandou chamar um grupo de cegos de nascença e os reuniu no pátio do palácio. Ao mesmo tempo, mandou trazer um elefante e o colocou diante do grupo. Em seguida, conduzindo-os pela mão, foi levando os cegos até o elefante para que o apalpassem. Um apalpava a barriga, outro a cauda, outro a orelha, outro a tromba, outro uma das pernas. Quando todos os cegos tinham apalpado o paquiderme, o príncipe ordenou que cada um explicasse aos outros como era o elefante, então, o que tinha apalpado a barriga, disse que o elefante era como uma enorme panela. O que tinha apalpado a cauda até os pelos da extremidade discordou e disse que o elefante se parecia mais com uma vassoura. “Nada disso “, interrompeu o que tinha apalpado a orelha. “Se alguma coisa se parece é com um grande leque aberto”. O que apalpara a tromba deu uma risada e interferiu: “Vocês estão por fora. O elefante tem a forma, as ondulações e a flexibilidade de uma mangueira de água…”. “Essa não”, replicou o que apalpara a perna, “ele é redondo como uma grande mangueira, mas não tem nada de ondulações nem de flexibilidade, é rígido como um poste…”. Os cegos se envolveram numa discussão sem fim, cada um querendo provar que os outros estavam errados, e que o certo era o que ele dizia. Evidentemente cada um se apoiava na sua própria experiência e não conseguia entender como os demais podiam afirmar o que afirmavam. O príncipe deixou-os falar para ver se chegavam a um acordo, mas quando percebeu que eram incapazes de aceitar que os outros podiam ter tido outras experiências, ordenou que se calassem. “O elefante é tudo isso que vocês falaram.”, explicou. “Tudo isso que cada um de vocês percebeu é só uma parte do elefante. Não devem negar o que os outros perceberam. Deveriam juntar as experiências de todos e tentar imaginar como a parte que cada um apalpou se une com as outras para formar esse todo que é o elefante.”

Acho incrível a simbologia dessa fábula!
Sim, eu acredito que quando falo em nome de afinidades por ideologias, partidos e estilos,  falo sobre “minha opinião”, fruto da minha visão, resultado das minhas impressões, e produto de minhas experiências e condição de análises. Não é "achismo", é uma realidade empírica.  Quem não transcende essa barreira humana natural não abre a porta para o todo, para as infinitas possibilidades do que há para ser revelado, e ficaremos eternamente vendo só em parte, pois só o amor conhece o que é verdade (da dobradinha da Bíblia Sagrada e Renato Russo).

Esta teoria do despreparo não se aplica apenas aos seres humanos socialmente ordinários. Líderes de todas as esferas seguem fiel e venenosamente este princípio. Com o agravante de que, como mencionei anteriormente, são eles os que mais buscam no fanatismo suas doses entorpecentes de filosofias e conceitos prontos, que atrofiam o senso comum,  e usam estratégias onde dever-se-ia aplicar valores, e manipulam valores (também prontos) como troféu de uma glória pessoal – cegos guiando cegos.

Eis que, em meio a esta sociedade pós-moderna primitiva, surgem anti-heróis, com pose, popularidade e poder de herói. É catástrofe anunciada. Não só por causa da figura do anti-herói, mas pelo caos que se torna um universo sem ordem,  desgovernado, destruído, mas ativo em seus destroços. Grandes astros lesados, estrelas apagadas, e todo sistema comprometido, porque mesmo aquele com magnitude considerável, não está em condições de brilhar, de tantos golpes estruturais. Gente boa sendo confundida com facínora, déspotas simulando polidez, e bagagem pessoal de extremo valor sendo motivo de escárnio... Tudo isso pelo intencional descaso à calamidade do sistema, e despreparo de suas linhas cardeais.

Em meio a tudo isso, o que eu tenho visto? Creio que também tenho ido até meu limite, porque não sou melhor que ninguém. Mas uma coisa eu sei que busco, todos os dias: apurar meus sentidos, para perceber, no burburinho da vida,  quanto posso estar perdendo ou quão comprometida pode estar minha visão, para, dali em diante, considerar minha memória, ressignificar o presente, e abrir as portas do meu entendimento para acompanhar o tempo do tempo, que – como diz Caetano, parece contínuo, mas é inventivo, e com quem nem sempre nos será possível ter o mesmo nível de vínculo, pois ele muda, urge, voa, e é implacável em todos os sentidos.

Saiamos do limbo, e entremos em órbita! O mundo gira, e não faz o menor sentido este retrocesso primitivo, isto é auto-sabotagem, é suicídio de raça! Sigamos o rastro do futuro, com a lente do discernimento, porque todos temos este dom – o dom de reconhecer a voz de um verdadeiro herói, e não qualquer brado eloquente, treinado, porém vazio; que não nos desafia, mas nos faz regredir em nossa natureza sublime  
O paraíso não é uma utopia, é uma etiqueta para a melhor versão de vida que conseguirmos alcançar com os olhos da fé, e que,  na prática, fizermos acontecer na mais empírica dimensão e manifestação do tempo, pois, como disse o personagem Maximus em O Gladiador: “O que fazemos em vida, ecoa na eternidade”.
Saiamos do limbo!

quinta-feira, outubro 04, 2018

Os Milagres de Vida do Meu pai....


Ao se construir uma família, há que se ter em conta um milagre. Não daqueles mega acontecimentos, do tipo que se torna notícia, mas o miraculoso efeito das coisas simples da vida; o milagre que acontece todos os dias quando alguém acredita em si mesmo, no outro, naqueles a quem ama, e naquilo que dá sentido a sua vida, o motor diário que faz a engrenagem da vida rodar, a sua fé, na vida e no que virá – como diz o poeta (*)

O milagre da família é fruto de quem acredita na convivência dos diferentes que se amam, que apostam suas fichas num investimento diário e flexível de seu tempo, paciência, economias, projetos; o milagre que acontece quando há uma vontade de fazer dar certo! O milagre que acontece quando há perdão, quando há recomeço (mesmo que quase diariamente). 

Ao se construir uma família, há que se deixar contaminar pelo sonho de todos, e usufruir do grande milagre que é poder assistir a própria família ir nascendo, crescendo e acontecendo...  Entre vitórias, abatimentos, perdas e ganhos.

Meu pai tinha essa perspectiva milagrosa de vida, a mesma do sábio do Eclesiastes.... 

“Deus marcou o tempo certo para cada coisa. Ele nos deu o desejo de entender as coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer, porém não nos deixa compreender completamente o que ele faz. Então entendi que nesta vida tudo o que a pessoa pode fazer é procurar ser feliz e viver o melhor que puder. Todos nós devemos comer e beber e aproveitar bem aquilo que ganhamos com o nosso trabalho. Isso é um presente de Deus.”
(Eclesiastes 3:11-13)

 Para o meu pai, chegou o tempo de partir, e para nós, o de chorar a dor dessa separação momentânea, mas também o de agradecer o privilégio de ter usufruído de sua companhia por tantos anos de jornada terrena. Para mim, foi  uma companhia muito semelhante à ideia que tenho de anjo, quase que feito para cuidar de mim.

Eu sou um dos pequenos milagres do meu papai... Um dos que ele acreditou e apostou suas fichas.

Com ele, conheci a música, o “tico-tico cá, tico-tico lá...Tico-tico que comia meu fubá...” E, nesse ritmo, aprendi que trabalhar cantando tornava o cansaço mais leve, e o trabalho mais divertido.
Com ele, aprendi a fazer massas de cimento, pedra e areia pra rebocar a parede da nossa casa; aprendi a sempre oferecer um sorriso aos que cruzavam o  meu caminho... E, com ele, entendi que Deus era alguém capaz de me surpreender e emocionar muito, mesmo numa simples oração... Ele repetidas vezes, se emocionava ao orar, e ao falar das coisas que Deus lhe havia proporcionado...

Meu pai acreditava em milagres, e esperava por eles com  paciência e fé, e isto lhe dava a força de um
Leão. E foi assim que ele provavelmente conseguiu chegar até aqui, no fim da linha imaginária entre terra e céu.

Louvo a Deus pelo milagre da vida do meu pai, e do legado espiritual, emocional e de ética que nos deixa.

Meu pai já não mora mais aqui. Ele agora mora dentro de mim, e em todo lugar! Meu pai explodiu em amor e rompeu as barreiras limitantes da vida para finalmente experimentar o que não nos é possível enxergar com olhos humanos! Meu pai transcendeu. Meu pai voltou pra casa!

Obrigada, Deus, pelo meu "ticacáqui", pelo meu Racnela...

Te amaremos eternamente, Pai!

(*) "Semente do Amanhã" (Gonzaguinha)

domingo, setembro 16, 2018

Desmemoriados do "Bem"....


Política e religião não conseguirão ficar "à parte" nesta reflexão, mas, a questão é muito mais abrangente.
Eis aqui   meu sentimento:
Pessoas que se orgulham de um tradicionalismo conservador não têm minha admiração. 
O que  tenho observado - e ratificado - diariamente é que  estas pessoas (que batem no peito por suas origens e padrões) usufruem de liberdades e privilégios que são frutos de  gritos, suor e  sangue daqueles que defendiam causas sobre as quais o tradicionalismo posava de Deus, julgava sem  refletir ou considerar  para , quem sabe, mudar. É gente que, na prática, não se aproximaria da mulher adúltera, nem do leproso; e não teria a compaixão do samaritano, mas que "se acha" simplesmente por compactuar domingueiramente  as  mensagens bonitas de um púlpito; gente que cola santinhos nas redes sociais em favor de líderes déspotas que  sequer as tira da zona de conforto de  suas bolhas e julgamentos pretensiosos.
Perdoem, esta não é uma reflexão razoável, é realmente um desabafo, porque minha tolerância de vez em quando ultrapassa meus limites.
Esbarro com isso nas mais diversas áreas da minha vida, e me incomoda muito!...
Pergunto-me: Como pode?!?!? Como?!?!? 
Vejamos:
a) Essas mulheres que hoje trabalham e se orgulham por serem donas do seu nariz, elas só desfrutam dessa posição porque aquelas  "vagabundas"  surtaram um dia!  
b)Essa gente  que hoje pode votar para presidente (mesmo nas "aberrações" que escolhem), só o fazem por conta de exílios e lutas de personagens que eram vistas como "bandidos sociais e radicais acalorados" quando clamavam!
c) Essa galera que finalmente vive sem culpa em suas doutrinas religiosas, também gozam dessa folga por conta de quem teve coragem de um dia "ser herege" e  ser jogado em fogueiras!
Enfim, como pode?!?!? Onde está a consciência desse povo?!? 
Quanta generosidade egoísta, quanta demência de conhecimento, quanta hipocrisia...

É um povo sem Memória ou com uma memória conveniente,  oportunista, do tipo que devora a comida que chega à sua mesa, sem considerar os processos (e a história) que antecederam inevitavelmente a este raro prazer... Sim, raríssimo prazer, lamentavelmente 😞

Como eu disse , a questão é muito mais abrangente .
Porque quem  repete padrões por preguiça de usar sua consciência está desprezando o cordão umbilical da alma! 
Não ecoamos, não animamos (anima=alma), não despertamos... 
Somo uma sociedade de vampiros.




Deixo aqui meu desassossego.



quarta-feira, junho 13, 2018

Eu queria ser bonita...


Eu queria ser bonita assim, como nos takes das luzes, como na pose das fotos, como no retoque dos filtros... E como meus amigos dizem nos posts.
Mas quando eu era visualmente quase irretocável, eu nem era bonita, sabia? Tenho a sensação de eu era só agradável aos olhos e cheia de sonhos e expectativas . Hoje , eu já não tenho mais tanta expectativa, mas guardo sonhos a sete chaves, sonhos que tem a ver mais cara de causas, que não se resumem a mim, mas a uma vontade de fazer diferença e sentir-se mais que sobrevivendo ao caos... Sabe o que mais? Sou vista e olhada por tantas diferentes óticas, que hoje retribuo só aos que de verdade me enxergam! Aprendi.
Num mundo de black mirror, para agradar aos olhos, valho-me dos efeitos, já que são inúmeros! Mas, vivendo, na real? De que me valem os efeitos? As luzes se apagam, e o dia amanhece. De repente, cá estamos nós: eu e meu espelho. Daí, é quando percebo que "amadureci" de um jeito "maracujável" de ser, e que o meu "bonito" já não mora mais no espelho.... Então, eu preciso de óculos; óculos com lentes dimensionais, que transcendam a visão estética, e projetem o invisível aos olhos.
É, eu queria ser assim,essencial, mesmo que invisível aos olhos, porém devidamente enxergada!

segunda-feira, junho 11, 2018

Viver, Conviver e Ecoar



Relacionamentos pressupõem dimensões humanas visíveis e invisíveis; ignorar seus enigmas e subestimar seus impactos comprometem estruturas emocionais e fomentam suposições e perturbações. 
Bom seria se investíssemos tempo e energia em buscar conhecer nossas próprias dimensões; e, assim, teríamos a sensibilidade devida para promover a sintonia adequada nos conflitos inevitáveis do dia a dia; ecoando no outro sentimentos que transcendem rotinas e fatos. Somos mais do que esta matéria temporária aparenta ser,  e podemos ir além de nós mesmos; podemos ligar e desligar  percepções, forças e sentimentos transformadores. Turn you on!

Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...