quinta-feira, setembro 10, 2009

Meu Foco

Quanto mais passional minha ligação com a coisa, tanto mais verdadeira. E quanto menos ela é evidente à razão, tanto mais certa. A realidade é irracional por ser singular” (Kierkegaard )

Não me incomodo se me criticam por conjecturar sobre assuntos que “não levam a lugar algum”. Reconheço que sou passional em relação a vida. Há coisas que minha razão não consegue explicar com total compreensão, mas, sobre estas coisas, sei que me queimam o peito, me aceleram o pulso, me levam às lágrimas, me roubam o sono... São, em sua maioria, coisas tão relevantes, mas que não estão na lista de reflexão de todas as pessoas.

Quando se é criança, o mundo é uma enorme caixa lúdica – seja qual for a magnitude da fantasia ou o universo de realidades em que se vive. Já na adolescência, a vida é um alvoroço de idéias, emoções e questionamentos, sempre na perspectiva de que viver é uma aventura, de preferência, sem limites. A juventude é o auge! É quando se olha a vida como um grande desafio, envolvendo muitos sonhos, sempre num oceano de possibilidades, afinal, há uma vida inteira pela frente! Como tão poeticamente já cantou Lupicínio Rodrigues:

Esses moços, pobre moços
Ah se soubessem o que eu sei
Não amavam não passavam
Aquilo que eu já passei
(...)
Se eles julgam
Que há um lindo futuro
Só o amor
Nesta vida conduz

Saibam que deixam o céu
Por ser escuro
E vão ao inferno
À procura de luz
(...)”

E é na carona do sentimento de Lupicínio que chego à maturidade; quando, finalmente, depois de muitas tentativas, fracassos e sucessos, sinto-me como se estivesse pronta para usufruir a vida com a devida medida, intensidade e propósito. Curioso, pois é justamente aqui, em meio esta maturidade pronta, que me abro para o autoconhecimento, para a compreensão do mundo e das coisas, para rever relações e escolhas.
Mas como? Essas emoções não combinam! Reflexão e ação não deveriam acontecer assim, tão simultaneamente. Talvez, então, este seja o motivo real de buscarmos a longevidade! Um corpo saudável, uma mente culta e bem informada, combinados com as experiências do passado, autoconhecimento e uma melhor relação com o outro. Perfeito! Talvez, nesta combinação, eu esteja de fato pronta para usufruir a vida na medida e intensidade adequadas à felicidade. Mas será que tenho percebido desse modo? Ter chegado até aqui, ter vivido o que vivi, de fato tem me feito compreender que esta oportunidade pode valer ouro? Que padrões e valores têm sido, na prática, meu objetivo de perseguição diária?

Não é loucura que tanta gente adulta esteja usando a longevidade para ainda olhar a vida como uma caixa lúdica? Não há limite para sonhar, eu sei. Mas é preciso dividir, respeitar e viver sonhos menos egoístas e mais compartilhados! Alguém disse um desses provérbios populares de cartões: “sonho que sonha junto não é sonho, é realidade”.

É, meu caro Lupicínio, não são apenas os jovens que "deixam o céu por ser escuro e vão ao inferno à procura de luz!"...

É lamentável, mas, como o ser humano é livre, suas ações não necessariamente seguirão esta minha interpretação.

Cada pessoa traz consigo suas lembranças, suas histórias de alegrias, tristezas, seus traumas, medos, frustrações, etc., e cada um se relaciona com isso a seu modo. O aprendizado, obviamente, também é diverso, tal qual as ações resultantes dessas experiências.
E é neste contexto que eu focalizo meu mundo. Por isso, por mais que estejam olhando numa mesma direção, o foco e a interpretação da vida (que é o que gera os sentimentos e as impressões) não será o mesmo entre diferentes pessoas, como também poderá não ser o mesmo em uma determinada pessoa ao longo dos anos.
"O fato da existência pode ser indubitável. Já o sentido e a interpretação da existência não são únicos e indubitáveis, são diversos e diferentes"
(Rita Josélia da Capela Pinheiro, in O Homem, a Angústia e sua Existência – um estudo sobre Kierkegaard )

Aí, talvez, esteja parte das nossas frustrações nos relacionamentos, pois aquele que divide comigo a estrada não tem que pensar exatamente como eu, e nem ter as mesmas impressões que eu tenho sobre as coisas e a vida, e, para algumas pessoas (e eu me incluo nisso, em parte), isto frustra.
Nem todo mundo vê o que eu vejo, do jeito que eu vejo, mesmo que esteja olhando para a mesma situação e caminhando a mesma estrada... Isto se aplica a muita coisa na vida. Isto me frustra sim. Até porque não tem sido enriquecedor caminhar com algumas pessoas...
O bom do diferente é quando a gente se sente desafiada no convívio e acaba se percebendo alguém melhor, vendo a relação andar, crescer. Gente diferente que não quer sair do lugar (entenda-se lugar por um monte de sentido: situação, estado de espírito, aprendizado, etc) não nos persuade, não nos impulsiona, não se move e nem nos move! É diferente de mim e é indiferente pro mundo! Gente que não abre os olhos. Não abre a janela da alma!

Não me julguem por demais pretensiosa. Eu gosto de pessoas de todos os tipos, e acredito que a diferença é uma benção para os relacionamentos. Só não me faz feliz seguir ao lado de gente superficial, que se limita no que vê sua razão, e sonha sempre no singular da realidade.

Gente passional é assim mesmo. Difícil de conviver. Como eu! (risos)

terça-feira, agosto 18, 2009

Espelho, espelho meu...

A lenda de Narciso (surgida provavelmente da superstição grega) possui um simbolismo que fez dela uma das mais duradouras da mitologia. Narciso era um jovem de singular beleza. No dia de seu nascimento, um adivinho profetizou que ele teria vida longa desde que jamais contemplasse a própria figura. Indiferente, seu egoísmo provocou o castigo dos deuses. Ao observar o reflexo de seu rosto nas águas de uma fonte, apaixonou-se pela própria imagem e ficou a contemplá-la até consumir-se. Dizem que, no lugar onde ele morreu, nasceu uma flor, que ficou conhecida pelo seu nome: Narciso. Na psicanálise, o termo narcisismo designa a condição mórbida do indivíduo que tem interesse exagerado pelo próprio corpo.

Não sei exatamente quando o espelho passou a fazer parte da vida da humanidade, talvez em histórias como esta ou a da sereia IARA, das bruxas dos contos de fadas, mas no momento em que isto aconteceu, este simples objeto adquiriu proporções que ultrapassam a futilidade.

Todos nós, num dado momento, tememos o espelho. Quando jovens, nem tanto, porém, com o passar dos anos, começamos a evitá-lo e, ao mesmo tempo, ainda que disfarçadamente, a sós, parecemos ter certa necessidade de mirá-lo...

A mitologia é mesmo muito curiosa e interessante. O tempo passou, o mundo mudou, e aqui estamos nós, numa complexa relação com o tal espelho. E esta complexidade não se restringe ao físico, à cultura do corpo e suas exigências. Acho que inconscientemente, vivemos alguns conflitos com outro espelho...U
m suposto espelho que projeta o invisível de nossa intimidade, nossas frustrações, medos, que nos coloca frente a frente com o irreversível do que nos tornamos ao longo dos anos.
É complicado enxergar-se e reconhecer-se, sem de fato, compreender-se e admirar-se.

De certo há muito que se orgulhar, há grandes conquistas pessoais, sonhos realizados, até milagres... Mas, como talvez tenha tentado definir Fernando Pessoa:

"Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim।

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem।

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou।

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim. "

Entre mim e o que em mim...
Entre quem eu de fato sou, e entre as minhas muitas imagens refletidas no rio; entre minha alma e minha vida vivida... Entre esses muito “eus”, corre um rio sem fim...
Um rio de frustrações, de dúvidas, incoerências, coisas pela metade, e também um rio de sonhos! Muitos sonhos. O que acredito ainda faz o rio correr... O nosso espelho d’água.

Se projetamos nossa imagem e a definimos a partir das relações com as pessoas e circunstâncias, estes (as pessoas e as circunstâncias) supostamente tornam-se nossos espelhos, e nós, espelho dos outros. Pense bem: Nesses relacionamentos espelhados, nos mais variados sentidos, há que se considerar as possíveis distorções, exageros, supervalorizações. Qualquer imagem sofre variações quando passa pelo outro, pelas coisas, e provavelmente comprometerão a reprodução do “eu”.

A visão mais confiável seria, então, aquela que não se projeta, mas que se revela na viagem ao centro de si mesmo.

"Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é,e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles." (Bob Marley)

Não é preciso ter uma história de vida perfeita, uma trajetória reta e sem imprevistos, nem tropeços, mas é bom ter consciência dos caminhos por onde já passamos, onde estamos e até onde pretendemos ir; sentir prazer e ver sentido em cada uma dessas etapas. Saber que o centro do universo não mora no nosso “umbigo” e que a vida e seus reflexos não se limitam a nós. Nossa vida não foi um acidente, por isso, somos mais do que o que nos mostra qualquer espelho.
Se conseguirmos considerar assim, tudo fica mais suave de se ver, e nossa imagem passa a ser refletida com inteireza, numa constante possibilidade de ver-se, rever-se, reverenciar-se e aperfeiçoar-se, em si, nos outros e em Deus.


Olho para o meu espelho e sei quem sou ereconheço minhas limitações.
Não me menosprezo, nem me ensoberbeço, apenas descanso na paz de amar a mim mesma e, assim, ser capaz de amar de verdade minha família, meus amigos, e até, de modo misterioso, aqueles com quem não convivo, mas que sofrem, têm fome (de todos os tipos), frio, e que podem cruzar fisicamente o meu caminho ou simplesmente ser parte do meu pensamento e de minha oração.

“Amar ao próximo com a si mesmo e a Deus, sobre todas as coisas”.

sábado, agosto 15, 2009

Reflexão de um beija-flor...

Queria poder voltar e sugar com diferente intensidade o néctar dos momentos passados, para fabricar substâncias mais perfumadas para o futuro.
Sinto que inspirei os ares que pairavam sobre os meus momentos como quem respira sem perceber, e vive simplesmente por estar respirando.

Queria poder reviver os instantes como uma abelha ou o beija-flor nas flores das minhas muitas idades...
Não posso voltar, nem inspirar os cheiros do passado, mas, hoje, talvez, com a sensibilidade apurada pela maturidade, possa saborear tudo que minha vida ainda exala e me deliciar com os vôos e e as diferentes estações...

sexta-feira, junho 12, 2009

Amar é...

...enamorar-se sempre.
Brigar às vezes,
Chorar um pouco,
Sorrir também...
É ter a certeza
De que o amor existe
Como o sol.
Mesmo quando
Não é dia de verão,
Seja qual for a estação,
Acontecerá o amor,
Baterá forte
Um e outro coração.

quinta-feira, maio 28, 2009

Porque Creio...

“...antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” (I Pedro 3:15)Aquele que insiste e não se cansa na busca por desvendar os mistérios da vida simplesmente para ser o proprietário de mais uma verdade, ou na tentativa desenfreada de desmoronar alguns ideais, julgando-os insanos e pouco racionais, eu diria que se está resistindo ao extraordinário e inevitável. Quer se renda ou não, cedo ou tarde irá deparar-se com este absurdo.
Obviamente não me refiro aos que aplicam o conhecimento e dons em pesquisas que engrandecem o potencial humano, melhoram a qualidade da vida e buscam curas para as doenças que aprisionam e trazem sofrimento ao homem. Estes, considero ferramentas capacitadas por Deus para perpetuar Seu amor pela raça humana onde ainda há espaço para fazê-lo.
Refiro-me aos questionadores inertes. Gente que não crê, não vê além do que pode ser humanamente visto, e não é humilde para não continuar a resistir. Preferem gastar sua intelectualidade contestando o desconhecido a dizer simplesmente que não conhece tudo e que pode surpreender-se com o que desconhece.
Tertuliano (um teólogo que viveu entre os anos de 160-230) argumentou que a maior verdade do Cristianismo era a sua absurdidade: Creo quia absurdum est ("Creio porque é absurdo."). Também acho. Se não fosse absurdo, não haveria necessidade de fé, bastava entender. Mas não é mesmo para se entender! É para ser experimentado!
A quem me pergunta, por curiosidade ou porque busca para si uma explicação sobre minha fé e seus fundamentos em minha vida, respondo:

creio não porque tenho todas as respostas, mas porque algo mágico, misterioso e, ao mesmo tempo, real e empírico, um dia, me invadiu a alma. 
E esta experiência me nutriu e me sustenta dia-a-dia. Tem dias que vivo e nem percebo que isso me sustenta, em outros, busco o tempo todo lembrar para conseguir me sustentar. Só não sei viver sem esta certeza absurda.
É assim. Simples de viver e complicado de explicar. Mas, para quê explicar? Se alguém deseja mesmo entender, se é uma vontade genuína, de puras e frágeis intenções, vai entender. Eu diria que já está quase lá. Resta pouco para que se perceba sendo alcançado pelo misterioso e evidente toque do Espírito Santo de Deus.

quinta-feira, abril 09, 2009

Como um bom vinho...

"Naquilo que escrevemos surge o nível do nosso preenchimento, da nossa profundidade, da nossa capacidade de matar a sede do mundo. O texto é a confissão do nosso grau de maturidade. Na medida em que assimilei tudo o que vi e vivi, escrever é abrir as comportas.
Confidenciar-me em público. Ou, como dizia o poeta Mário Quintana, numa entrevista:
'Eu nunca escrevi uma vírgula que não fosse confessional
'".
(Gabriel Perissé)


Estou envelhecendo. Sinto isto. Não são raras as situações, nem pouco freqüentes os incômodos e as reflexões pessoais que me levam a esta constatação. O que ameniza o meu pavor é pensar que envelhecer pode significar muitas coisas, algumas delas até bastante positivas, como, por exemplo, um amadurecimento natural que traz (ou pelo menos deveria trazer) certo equilíbrio à vida. Pensando assim, vejo o futuro com motivação. O problema está no que me tem feito sentir assim, envelhecendo...

O que faz com que eu não me sinta mais jovem?

Obviamente o famoso “efeito da gravidade” e as evidências do passar dos anos são marcantes. Sinceramente, isto não me apavora. Talvez incomode, mas não me rouba a paz, nem inverte minhas prioridades de vida. Mas não é o simples passar dos anos e a profundidade de meus sulcos faciais que me envelhecem, e sim o que eu estou ou não fazendo enquanto o tempo está passando. O tempo marca meu corpo, meu rosto... E eu? Marco o quê? Ou quem?

Algumas coisas são pesadas para mim...
A impossibilidade de poder dizer sempre tudo o que penso, por exemplo. Embora alguns mais próximos, que há muito me conhecem, possam se surpreender - justo eu, aparentemente tão ousada! O amadurecimento me trouxe mais “tolerância”, contudo, praticar esta tolerância com quem não merece me frustra, e acho que me envelhece um pouco...
Estou numa fase onde, como disse Brennan Manning, em seu livro “O Impostor que Habita em Mim”: “A questão não é se sou introvertido ou extrovertido, de sangue quente ou de personalidade submissa. A questão é se expresso ou reprimo meus sentimentos genuínos”. Esta tem sido a questão.

Minha impotência face algumas circunstâncias que envolvem a vida de gente querida, minha vontade de mudar o que me rodeia, minha incapacidade de delegar as ações que não são de minha “conta”, e por aí vai...
O modus operandis que alguns adotam em suas vidas também me faz parecer careta. A “coisificação da vida” que, na definição do Pr. Ed René Kivitz, seria “quando nos sentimos ‘alguém’ em razão das coisas que temos, ou quando as pessoas nos julgam ‘ser alguém’ em razão das coisas que temos”, isto tem me afligido, me incomodado. Tenho que me controlar para não tornar-me indelicada, polêmica, anti-social, “velha”, de repente.
As medidas da aparência e os relacionamentos por interesse decididamente têm desgastado certa dose de minha paciência. A competição e o consumismo exagerado não podem ditar quem sou, e não deveriam falar sobre ninguém. Não gosto de ser julgada, nem gosto de “perceber-me” julgando outros, influenciada por estes parâmetros. Eu sou quem sou pela graça de Deus, tendo muito, tendo pouco ou tendo nada!

É claro que toda esta constatação, este inevitável processo de amadurecimento não tem me feito bem todos os dias. Por isso tenho buscado envelhecer com “graça”. Ando pensando sobre isto...

Novamente Ed René Kivits: ''administrar o estado de espírito momento após momento, para viver plenamente aqui e agora é, ao mesmo tempo, o ônus e o privilégio do direito e dádiva da vida'' (em Vivendo com Propósito).
Isso tem um sentido muito verdadeiro. É um privilégio podermos nos sentir vivos, refletindo sobre o mundo, participando ativamente de manifestações, transformações, etc. É igualmente, para mim, um privilégio poder escrever este texto agora, mas é também uma enorme responsabilidade com todas as suas conseqüências pessoais, com todas as dores de cabeça, desgastes físicos e emocionais, aborrecimentos e frustrações, mesmo que em meio a algumas grandes vitórias. Passar por tudo isso e envelhecer com graça é um privilégio, mas tem um ônus pessoal expressivo.

Outra consideração que tem feito sentido pra mim é a de que para experimentar a profundidade da vida com uma sensação de espiritualidade mais intensa, eu não preciso deixar tudo de lado e olhar apenas para Deus; ao contrário, não posso deixar nenhum aspecto do que me cerca fora da interação com Deus. Devo olhar não exatamente para Deus, mas para todas as coisas a partir de Deus. É aquele ditado conhecido: “não diga para Deus que você tem um grande problema, diga para o problema que você tem um grande Deus”. É mais ou menos isso, só que de modo abrangente, e também fora do que vem a ser “só problema”, mas também vitórias, alegrias, lazer, etc. Em todas estas situações, haverá sempre um grande Deus em nosso universo pessoal, e é a partir d’Ele que nos movemos e existimos., quer crianças, quer jovens, quer “maduros”. A diferença, e o mágico, é que, maduros, conseguimos perceber este privilégio, e viver realmente mais consciente dele.

Assim, reconheço que tudo o que tenho e tudo o que sou não é mérito meu. Tenho sido diariamente agraciada com vida, saúde, disposição, recursos (de um modo ou de outro, sempre aparece uma luz no fim do túnel de um dia atarefado e cheio de desafios pessoais); por isso tudo o que tenho tido é graça, é favor imerecido, é dádiva. Por maior que seja meu esforço pessoal, por mais que eu contribua com toda capacidade que tenho, hei de alegrar-me sim com a remuneração do meu trabalho, mas preciso entender que eu semeio, mas é Deus que faz crescer e me dá a oportunidade da colheita. E nisto está o meu louvor.
Por isso, não devo, e não posso dar as mãos aos que se vangloriam do que são pelo que têm e assim julgam e definem suas relações. Tenho que me alegrar com os que se alegram, e chorar com os que choram, genuinamente falando, do modo mais claro e prático que eu conseguir, e não devo escolher com quem chorar ou sorrir. Meus relacionamentos, mais do que nunca, merecem ser o reflexo do meu amadurecimento. Quem estiver ao meu lado no caminho, e o que eu possuir, será parte dos meus valores, será parceiro de alegrias e dissabores, será amigo de fé e irmão camarada. Meus relacionamentos e minhas posses têm que ser parte da minha coerência de vida. Se é assim que penso, é assim que faço, e é isso só que tenho.

Queria compartilhar apenas mais dois pensamentos que têm calçado os meus pés enquanto caminho envelhecendo.
Ouvi o Pr. Ricardo Gondin dizer em uma de suas reflexões: “devemos transformar o passado em materia-prima para construçåo de um futuro seguro e de paz, sabendo que Deus é nosso parceiro na jornada de construção da nossa historia de vida.”; e o outro é: “o que não é meu, eu não quero, pois aquilo que não é meu, nunca encherá o meu coração”. (Ed René Kivitz)

Assim, sigo envelhecendo, ou, como dizem os de língua inglesa: “getting old”, sigo ficando antiga.

Deus nos abençoe.

domingo, abril 05, 2009

A Insustentável Leveza do Meu Ser



Andei por aí levitando em sonhos e castelos
Presos por um fio amarrado às estrelas.
Passei por muitos ventos, projetei-me em muitas telas,
Parei algumas vezes, pousei em prados belos.

No tempo em que pousei, em mim trazia um peso
Por não estar feliz, e em dor o peito ardia,
Só quando levitava, nos sonhos, por inteiro,
Sentia-me segura, voando em poesia.

Se são ou não felizes os que na vida pesam,
Se sempre esteve leve a alma dos poetas...
Tais forças os conduzem
Tal vida que se leva...

O céu é o limite
E não se finda o elo,
Sou pássaro pesado,
Mas vôo quando quero!

Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...