terça-feira, abril 10, 2018

Instinto e Sabedoria


O que fazer com a experiência que a gente adquire nos relacionamentos e nos ambientes, e que, processada em nossa sensibilidade, gera em nós a noção pertinente para identificar riscos, perceber ciladas e intuir situações com a devida idoneidade?  Sabe aquele instinto apurado? Pois é... Devo dizer que esta competência é  uma verdadeira saia justa.
Sair dando a nossa opinião não é uma opção que traga boa reputação, mas a gente só aprende errando. Não são raras as vezes em que busco outras literaturas ou artigos específicos de profissionais já legitimados pelo tempo, experiência ou até mesmo “fama” para espalhar minha opinião. Destas, inúmeras refletem ”ipsis litteris” o meu pensamento, porém fico a dever pela “não referência bibliográfica”, então, navego na onda de pensadores consagrados.
Com o passar do tempo, um gosto amargo de frustração vai incomodando minha “voz”, e sinto-me desmotivada.
É quando, então, recolho-me (ainda que só mentalmente) para refletir sobre minhas motivações, vaidades e propósitos, e, neste campo de concentração, busco novo entusiasmo; porque a frustração é um caminho ladeira abaixo, e se eu quiser , um dia, ter mais que licença poética, e ser referência bibliográfica,  a direção  é permanecer avante, nunca ruir.
Daí, meu instinto fica descontaminado,  e de apurado passa a ungido pelo santo bálsamo da paciência, que é uma porção da sabedoria. E o silêncio da espera pelo tempo certo das coisas me faz parecer sábia.

A única sabedoria que uma pessoa pode esperar adquirir é a sabedoria da humildade.” (T. S. Eliot)

quinta-feira, março 22, 2018

A Metade do Caminho



A metade de qualquer caminho é, invariavelmente, um momento de desânimo. Geralmente estamos tão longe de onde partimos, que não mais conseguimos ver o que já deixamos para trás, e nosso alvo ainda não está claramente visível para nos encorajar a seguir. A sensação é de que falta muito para quem já caminhou tanto...
Qualquer caminhada, qualquer coisa com a qual se sonhou, qualquer estrada que seja fruto de uma decisão, de um esforço, de uma busca. O meio entre o que nos falta e o que já temos será sempre uma fase delicada do processo.
Sempre vamos estar na metade de “alguns” caminhos.
As diversas áreas de nossas vidas são como diferentes caminhadas emocionais, profissionais, sociais, etc. Por mais que nos planejemos, nem sempre acertamos ao mesmo tempo a carreira, o amor, a maternidade e o equilíbrio espiritual. Não há como garantir que elas aconteçam simultaneamente, sem conflito.

I stand upon my desk to remind myself that we must constantly look at things in a different way. When you think you know something, try to look at it in a different way (John Keating, personagem de Robin Williams no filme Sociedade dos Poetas Mortos)

Traduzindo, seria algo parecido com o seguinte: “Estou em pé aqui nesta mesa para lembrar a mim mesmo de que devemos constantemente procurar olhar para as coisas e circunstâncias numa ótica diferente. Quando achamos que conhecemos alguma coisa, que tal tentarmos olhar para ela de um modo diferente?


O meio do caminho é propício para conhecer novas opiniões e experiências, ler um livro, ver um bom filme, trazer à memória o trajeto já percorrido, para assim, quem sabe, poder olhar a situação e o caminho de uma diferente perspectiva. A decisão poderá ser de prosseguir revigorado, redirecionar o alvo ou simplesmente desistir. 

O ideal é que qualquer decisão não seja fruto do cansaço, da solidão, nem do egoísmo de quem acredita só no que está vendo, na visão de uma única janela. Haverá sempre diferentes perspectivas. Às vezes, pode ser simplesmente ouvir o outro, compartilhar uma ideia ou uma boa e restauradora noite de sono.

Seja qual for o momento da vida, o trecho da estrada, é imprescindível buscar entusiasmo. (No grego, de onde se deriva, entusiasmo é enthusiasmós. Ela se compõe de três partes: en (em) thu (abreviação de theós=Deus), e mos (terminação de substantivos). Entusiasmo significa, portanto, ter um Deus dentro, ser tomado por Deus. Não é uma intuição fantástica?
Por mais banal que possa lhe parecer uma atividade, quando você se abre positivamente a respeito, buscando o olhar menos óbvio e cansativo, você é invadido por uma plenitude espiritual que traz paz, que te entusiasma, dá voz a Deus em você.


De repente, você está se desanimando, e pode estar na metade de onde pode chegar... Ah! Mas é só a metade?! Pode ser, mas é um caminho.  Preste atenção, mude o foco, e entusiasme-se!  

quarta-feira, março 21, 2018

A Resiliência diante da Esfinge




O ser humano, por mais que se esforce para “ser” humano, diante de ameaças (em suas mais variadas dimensões), acaba sabotado por sua face animal. De repente, o bicho homem se revela  em ferocidade, na sutileza da emboscada,  na busca por um bando, na hibernação temporária para esperar o motim...
Por isso, lidar com gente requer destreza, e, em determinadas situações, uma noção adaptada de sobrevivência na selva.
Isso não é poético, nem motivacional, mas é intuitivo e instrutivo. Quase que uma dica de “sabedoria” para lidar com as esfinges do dia a dia.