quinta-feira, setembro 22, 2011

Fico lembrando da época em que eu elaborava menos... 
Sabe de uma coisa? A razão é um filtro muito bom, mas, às vezes, ela parece funcionar como nutricionista da alma: é importante, é saudável, mas retira do alimento a gordura e o açucar, que talvez sejam realmente desnecessários, mas que trazem sabor e prazer!
A gente começa a entender mais, só que perde a sensibilidade.

Tem coisa que hoje me parece loucura, mas que me sustentava de pé enquanto nelas acreditava!

quarta-feira, agosto 24, 2011

Por Um Mundo Melhor


A marginalidade não é mais um “assunto” a se discutir, mas um movimento contra o qual precisamos lutar; tornou-se um segmento da sociedade, um partido filosófico de atuação rebelde, arbitrária e sanguinária que envolve a própria comunidade de berço em sua defesa e cobertura, mesmo que de modo acuado.
Alguns bairros das grandes cidades, dependendo da proximidade com estas comunidades marginais, transformam-se em “quintal” de indivíduo criminosos, de seus filhos e discípulos. Pasmemo-nos, mas as crianças das chamadas favelas se “inspiram” nesses anti-heróis por seus feitos e, enquanto brincam neste enorme quintal, desafiam-se e ousam pequenas abordagens ou mesmo se planejam em grupo (tipo arrastões) para jogar polícia e ladrão de um modo bem mais realista e emocionante. É uma grande brincadeira que põe em risco milhares de vidas de trabalhadores, pais, mães e crianças indefesas, criadas com outro tipo de brincadeiras, as do tipo realidade virtual.
A questão é muito mais complexa do que podemos imaginar.
A ideia de que o indivíduo bandido era fruto de condições desfavoráveis de vida foi-se pelo ralo social... Já era! Isso não mais existe em proporções que justifiquem esforço e investimento financeiro nas bases familiares. Sem dúvida há que se prestar constante atenção aos problemas com infraestrutura dentro dessas comunidades, mas isto tem a ver com direito do cidadão, com saúde e higiene; porém não justifica mais argumentarmos que uma vez que os cidadãos moradores dessas áreas forem assistidos com respeito e qualidade de vida, teremos impacto proporcional na diminuição de pequenos delinquentes! A coisa é justamente oposta! A permissividade, o acesso fácil a bens materiais sem fortalecimento de valores, a lei do pouco esforço, nenhum estudo, tudo isto e muito mais aliados aos maus exemplos (inclusive de governantes), às leis incoerentes e à evidente impunidade, acaba construindo um império de marginalidade.
A criança não nasce um bandido, mas vai crescendo um dentro dela. Ela vai praticando furtos não mais para obter o que precisa por ser pobre, mas sim porque é assim que se faz. Porque muito provavelmente ela tem tudo, mesmo não tendo nada. Acreditem: dentro de suas casas nessas comunidades, os moradores têm eletrodomésticos, jogos, computadores, e uma enorme lista de itens que muitos de nós talvez ainda não tenhamos tido oportunidade de adquirir com todo trabalho suado e dedicação pessoal! Essas aquisições provavelmente foram oferecidas pelo crédito fácil ou pelo furto dos mais velhos, mas fato é que o adolescente e as crianças já não lutam mais para conquistar coisas, eles roubam, simplesmente porque é assim que se faz, é assim que se divertem, e o fazem com tranquilidade porque não há lei que os obrigue a se submeterem a outro tipo de ocupação, nem mesmo uma lei que os intimide ou penalize!
Mas não é somente o bandido e o acesso às drogas que cooperam para a proliferação desse tipo de crianças-infratoras e já pequenos marginais. As famílias, a mamãe que dá tudo, as compensações sem regras, as instituições de portas abertas, mas sem uma missão clara e compromisso dos envolvidos com os conceitos e não apenas distribuição descontrolada de doações, etc. Não podemos ficar sempre dando o peixe, precisamos ensinar a pescar. De verdade. Devo deixar aqui também claro que estou considerando uma parcela razoável de organizações não admiráveis, mas sei que algumas iniciativas desenvolvem trabalhos maravilhosos e de valor, portanto, são dignas do meu reconhecimento.
Eu sei que é muito complicado, mas a compreensão do problema precisa ir sendo decifrada aos poucos por todos nós para que possamos investir melhor nossas considerações, o investimento de nosso tempo, dinheiro e outros recursos. Mesmo sendo um trabalho longo e de formiguinha, há que se estar seguro e engajado. Obviamente muitos de nós não iremos usufruir dos resultados, de repente nem mesmo nossos filhos chegaram a colher os frutos de nosso esforço, mas as ações de hoje precisam estar pautadas em uma reflexão mais profunda, sobre prisma e pontos de vista corretos, ou pelo menos o mais próximo possível do realmente necessário e eficaz. Quanto não temos colhido no mundo fruto, por exemplo, do sonho desenfreado, mas engajado da geração Hippie! Parece louco isso, mas proteger o planeta não é filosofia de agora! Agora, usufruímos de uma consciência elitizada da causa, mas, gostemos ou não, nasceu no movimento hippie!
As manifestações coletivas, os abaixo-assinados, todas essas coisas são de grande valor, e quanto mais gente engajada, maior a contribuição. e a chance de obter-se comprometimento das autoridades, sem dúvida, aumenta; mas precisamos também, de uma vez por todas, entender o conceito de transformação da sociedade pela atitude individual. A minha oportunidade de fazer diferença e impactar em mudanças não está somente nessas grandes manifestações, mas também e talvez principalmente nas minhas ações e reações pontuais. A minha chance de fazer discípulos pode ser uma forte concorrência para a marginalidade, portanto, seria bom que prestássemos atenção como aproveitamos as situações para compartilhar valores, como tratamos as pessoas e como educamos nossos filhos neste sentido. A minha funcionária em casa, por exemplo, pode ser mais do que alguém que me serve na logística, na correria e nas mordomias, ela pode ser a pessoa com quem desenvolvo um relacionamento saudável e carinhoso, mas não porque faço doações com o que não me serve mais, e sim porque aproveito para ajuda-la a compreender valores, ensino coisas relevantes, e até posso influenciar suavemente as decisões e atitudes dela com sua família, promovendo, assim, uma grande corrente do bem.
Mas tudo isso tem que ser mais que teórico. Se o objetivo é vencer uma guerra. não pode haver superficialidade. A nossa maior arma será sempre a combinação do que cremos, como agimos e contra quem lutamos.
Há que se reconstruir o ser humano, não só o marginal. E a nossa guerra é muito mais do que lutar contra esses indivíduos, é talvez uma batalha contra o invisível, mas que eu acredito se revelará quando se movimentar em meio a uma luz gerada pela multidão de gente com boa intenção, boa ação e fé.

quinta-feira, julho 28, 2011

"Ars est celare artem"

A tecnologia pode melhorar processos, mas só a arte, tal qual o amor, é capaz de sensibilizar e influenciar nossa visão sobre as coisas.

Se o mundo mudou, não devemos prestigiar apenas os avanços da ciência e da tecnologia, pois fatalmente o que hoje colhemos é fruto do clamor de alguns que colocaram em risco, consciente ou inconscientemente, sua reputação em nome do pulsar histórico-social manifestado nas muitas artes do passado.

Penso que o "modus operandis" é uma versão racional do que nasceu, um dia, na alma de um gênio desmedido e apaixonado. Mas... " ars est celare artem", ou, traduzido, a arte está em esconder a arte.

quinta-feira, junho 09, 2011

Só Eu...


Seja como for, uma hora ou outra, a gente
acaba esbarrando na dor de perceber que, como disse a admirável Clarisse Lispector, ninguém é eu, e ninguém é você. Esta é a solidão
”.
Por mais que eu acredite, por exemplo, que Deus habita em mim; Ele, em mim, também tem que conviver comigo!
Esta premissa minimiza bastante os fatos, mas certas coisas vão continuar sempre dependendo só de mim. Haverá sempre uma discreta e necessária solidão. E vai doer.

sexta-feira, junho 03, 2011

Tocou-me... E de paz encheu meu coração



De um modo muito saudoso e nostálgico, minha reflexão de hoje passou especificamente pela estrada da experiência cultural de quem nasceu e cresceu no seio da tradição cristã evangélica. Acho que já amanheci predisposta a isso.

Muitos talvez não consigam ler esta reflexão com o envolvimento que eu gostaria. Mas os que experimentaram - como eu - o formato religioso "Escola Domincal + culto matutino + reunião de jovens (na época, chamávamos mocidade)+culto vespertino" hão de me compreender melhor, eu imagino. De qualquer modo, escrevo. Sinto que talvez exista mais a compartilhar que apenas o falar de cultura religiosa.

Reconheço que somos privilegiados. Nós que usufruímos de todo conhecimento que hoje paira sobre o mundo, sobre as culturas, toda facilidade de acesso a informação; tudo isto nos torna muito mais habilitados a discutir, conhecer e desvendar a vida, seus conflitos, a provável origem das coisas e as vertentes da própria história. Isto é um privilégio da geração presente e dos que ainda perseveram na luta pela longevidade que Deus nos tem outorgado.

Dentro desta perspectiva, viver a espiritualidade hoje em dia é, sem dúvida, mais transparente nos questionamentos, menos preconceituosa nos diferentes modos de entendimento, e, porque não dizer, mais honesta em algumas circunstâncias. Mas existe um certo mistério na tradição eclesiástica, mistério este que não consigo traduzir com propriedade, mas que foi impresso em minha vida – memória e coração – de modo delicado e, ao mesmo tempo, profundo.

A liturgia, por exemplo, como toda regra pouco flexível, tornou-se alvo fácil dos movimentos daqueles que (eu me incluo) desejavam novidades e mudanças do modelo da época. Ela sempre nos pareceu “engessar” um pouco a liberdade de expressão, principalmente tratando-se de espiritualidade. Lembro-me que seguíamos uma orientação de culto pré-estabelecida; e, num dado momento, dependendo do lugar e da situação, sabíamos de antemão as canções que seriam entoadas e o esboço da explanação bíblica.

O curioso é que, independente desta liturgia castradora, havia um sentimento, uma intenção e uma predisposição emocional, uma comunhão que parecia transpor as barreiras da consciência, invadia a alma, e se armazenava em algum ponto mágico do nosso ser, onde as canções, o que elas nos inspiravam e a sensação que nos causavam permanecem até hoje. Não tínhamos metade dos recursos disponíveis atualmente, havia pouca variedade no formato dos cultos e as crianças (hoje tão exigentes) "seguiam a cartilha", participavam (dormindo ou acordadas) dos cultos, e esperavam ansiosamente Julho chegar para que a EBF (Escola Bíblica de Férias) acontecesse; ou sonhavam logo crescerem para cantar na mocidade...

Vínculos de amizade profundos foram selados dentro deste universo social, e chamávamo-nos irmãos porque quase éramos mesmo!

Muitos se perderam no caminho. E isso tem a ver com as mais diferentes interpretações. Mas, em algum lugar, de algum modo, este selo os acompanha.

Laços criados e situações vividas foram tão padronizadamente marcante que, independente de onde tenhamos passado este momento de nossas vidas, ainda hoje, quando temos oportunidade de reencontrar ou mesmo de conhecer alguém que compartilhe esta experiência vivida, nosso coração se alegra, e o fluir das lembranças nos traz o mesmo sentimento de nostalgia e alegria.

Embora pudesse passar horas em lágrimas e risos num mergulho emocionado dessa história, ao final da minha reflexão, precisava chegar a uma conclusão. E cheguei a algumas:

A mais importante delas talvez seja esta: TOCOU-ME.

Sim. Foi na simplicidade desta tradição cristã que descobri que Deus caminhava comigo e em mim; onde ELE se revelou e, ainda na minha adolescência, me ‘tocou” sobrenaturalmente. Não há muito para explicar, pois não saberia. Mas, como disse Paulo em sua carta aos Gálatas “trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus.” (cap 6 vs17). Eu também as trago, e, como mencionei anteriormente, ficaram impressas de modo delicado e profundo em minha vida.

Outra conclusão (e esta talvez mais prática no propósito do texto) é que não devemos seguir adiante sem que uma história de amor, uma experiência pessoal e uma tradição nos acompanhem.

Muitas vezes, me pego refletindo sobre a evolução das coisas, sobre perdas e ganhos percebidos com passar dos anos, sobre o que deixou saudade, e sobre o que traz alívio de não mais existir. Às vezes, a gente diz “que bom que já passou”, em outras a gente diz “que pena que não volta mais...”. É a vida, é o que se experimenta por continuar vivendo. E a reflexão traz emoções à tona, porque, como bem dizemos: recordar é viver.

E, para finalizar, eu diria que mesmo com toda liberdade, com tudo que vimos conquistando como humanidade, com todos os aspectos positivos das inúmeras pesquisas científicas, avanços tecnológicos e da visão de espiritualidade contemporânea, ainda assim, é na tradição que deveríamos sustentar tudo de novo que construímos. É como uma casa sobre uma rocha.

Por isso, acredito que não vale a pena negligenciar um modelo tradicional de família, de comportamento e de sociedade só porque pode parecer “démodé”. Disciplina, organização e rotina são temperos, e ajudam, por exemplo, nossos filhos a sentirem-se seguros e amados. Talvez não devamos antecipar as novidades pensando que nos ajudam a interagir com a realidade deles, evitando que se distanciem, ou não sigam o caminho do que faz sentido para nós. Eles amarão o que valorizarmos na proporção que perceberem o quanto faz diferença em nós, e nos torna melhores pais, melhores pessoas, nos torna gente que vale a pena.

As mudanças são como águas tempestuosas nas portas do mundo. Não há como fugir de muitas delas, e nem motivo para reagir preconceituosamente contra outras; mas há que se manter sustentados, não por paradigmas inegociáveis, mas por aquilo que nos tocou, por aquilo que ainda nos emociona ou por aquilo que nos traz esperança.

Deus nos abençoe.

segunda-feira, maio 23, 2011

Por Um Mundo Melhor



Se de tudo demais que tenho,
A metade a alguém desse,
o mundo desigual não seria,
E se, além de mim,
Você também o fizesse,
Um milagre aconteceria!

sexta-feira, maio 20, 2011

Uma Breve Reflexão...

Se hoje, como nação,
podemos bater no peito e dizer que conquistamos muito
com a a aprovação do casamento homossexual;
será que não seria de igual orgulho
se nos mobilizássemos com o mesmo ardor e afinco
para que fosse também revista uma lei tão insustentável
(e que gera tanta impunidade) quanto esta
de proteção ao menor de 18 anos
na responsabilidade criminal?
Cada povo tem o governo que merece mesmo!

Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...