quinta-feira, maio 19, 2016

Tolerância Também Se Aprende





A gente tem a mania de congelar os momentos, e classificar as situações  conforme  os conceitos aprendidos em nossa época de curta experiência de vida, enquanto todos os eventos e momentos da história carrega a potência de milhares de outras histórias passadas. Por exemplo,  o papel social da figura feminina na história. Quantas  mulheres  foram rotuladas, abusadas, discriminadas, "mal faladas" e até mortas para que algumas mudanças fossem finalmente concretizadas  e as usufruíssemos hoje?!

Por mais banalizado que o tema possa  parecer, eu digo que os detalhes são erroneamente subestimados, por não mensurarmos o real Impacto das ações do tempo presente no futuro de toda uma sociedade;  e isso não tem a ver com ser machista ou feminista, tem a ver com garantir sentido à existência,  plenitude aos propósitos da vida humana  em sociedade, independente de cor, gênero, posição social e credo.


Pergunto-me quão tolerante temos sido com a história de mulheres que hoje em dia ainda ousam em seus posicionamentos – dignos, admiráveis, não convencionais,  assustadores,  ou indecentes . Todos  merecem nossa predisposição desarmada a respeito. Devo considerar que minha simples empatia me torna parte ou me exclui de contribuir com mais um tijolinho na construção do mundo em que meus filhos viverão.  Eu, particularmente, devo isso aos meus, afinal, esta lição eu aprendi com eles.

Imagem: Vitor Furtado 

quarta-feira, maio 18, 2016

Espiritualidade Pura e Simples

A busca por Deus geralmente passa pela religião,  mas, transcorrido o tempo da religião, a Sua revelação nos leva além, a uma vida abundante, uma espiritualidade plena, livre e verdadeiramente significativa, onde o culto é a entrega diária e indiscriminada de quem somos, onde estamos e o que fazemos. 

segunda-feira, maio 02, 2016

Coisas que fico pensando Quando Converso Muito com Meus Filhos...


Ter filhos e acompanhá-los num relacionamento sincero, intenso e transparente nos desafia como pais  e como gente. E, sobre isto, digo-lhes que, muitas vezes, precisamos  saber perder, ou pelo menos reconhecer as riquezas que esta  relação  entre gerações  diferentes pode nos proporcionar. Uma delas é o novo olhar sobre o Mundo, e uma leitura despretensiosa de tudo que já não nos é tão familiar...
Há que se ter mente aberta, flexibilidade, e certa dose de  desprendimento  para se reconsiderar opiniões e impressões sobre a vida, seus movimentos, suas formas e funções, e, então, definir o que é eterno, e o que é negociável. 
As coisas se resignificam - histórica e socialmente, é fato.

Partindo desta premissa, eu comecei a considerar o seguinte: 
Na transcendência da vida humana, a fé é um fluido onde muitas coisas se movimentam, é o lubrificante das  engrenagens da vida, engrenagens estas diversas, e passíveis de novos conceitos, entendimento e revelações. Cada dia, um novo dia, tudo novo...  Ou seja, não existem impressões  congeladas ou opiniões imutáveis.
O mundo gira, o tempo passa, e coisas mudam...  E a fé segue sendo aquilo que faz tudo funcionar sem ranger ou quebrar, mesmo que o mecanismo se altere.

Ora! Deus é atemporal! Nele não  há evolução ou regressão, Ele simplesmente é, e o seu ser é essencialmente amor - e este amor é o combustível indispensável, propulsor do motor da vida.
A fé e o amor sobrenaturalmente se encaixam nos inevitáveis ajustes do universo, e, neste, Deus é, e segue sendo humanamente inatingível.
O tempo não afeta Deus, logo,  nenhuma verdade circunstancial, conceitos de época, ou qualquer coisa que sofre o tempo e desafia nosso entendimento pode se justificar ou sustentar-se na aparência primária das coisas, no conservadorismo, ou nas tradições. Há que se renovar o entendimento, e deixar-se ser movido pela fé, e pelo amor, 

“...transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Romanos 12:2)

terça-feira, dezembro 01, 2015

Basta Acreditar.


Nossos impulsos pessoais  nos trazem experiências relevantes, porém efêmeras e até frustrantes, dolorosas e possivelmente desnecessárias...
Já as providências divinas  que encontram espaço para se efetivarem na história de nossas vidas são como aroma e som suaves, que nos tranquilizam a alma, trazendo paz, edificando e abençoando também a vida dos que caminham conosco.

Porem o livre arbítrio abre-nos a possibilidade infeliz de não concebermos  o espiritual, não nos permitirmos suscetíveis ao sobrenatural.  Quanto mais autossuficientes, mais pretenciosos, e por isso,  menos penetrantes, menos  abertos às provisões extraordinária e  pequenos – ou grandiosos -  milagres da vida; e, assim, menos felizes...Mesmo sem atinar.

Pessoalmente, convivi com algumas consequências de escolhas 
presunçosas, vaidades, tentativas arrogantes, fruto de uma inconsciente ignorância diante das ciladas da vida. Mas... um amor infinito, sobrenatural e mágico agia ao meu redor, e eu percebia. Podia como que sentir o seu agir, ali, livrando, cuidando, abrindo sempre a possibilidade de um novo começo. Senti, porque eu escolhi acreditar!

Se eu falei o que não devia, Ele me deu novas oportunidades.

Quando eu fiz escolhas erradas, Ele transformou meu deserto e irrigou minha estrada.

Quando eu pisei na bola, Ele não levou em conta...

Assim é o amor!  Bondoso, generoso, não nos trata de forma displicente, não se ensoberbece, não busca os seus interesses, não suspeita mal...  Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha! É mágico!


Assim é Deus. Deus é amor!
E eu escolhi acreditar!

sexta-feira, outubro 09, 2015

O Olhar de quem Sofreu


Mais que qualquer cerimonial ou liturgia, nossas duras experiências de aparente sofrimento são oportunidades extraordinárias  de revelação do “Eterno” em nossas vidas. Parafraseando o relato bíblico, elas nos transformam,  como quem acaba de voltar do monte, ressurgimos  radiantes , plenos, transfigurados.
Agora, que trouxemos um novo olhar sobre o que de verdade importa, resta-nos a chance de mais uma tentativa coerente de vida,  com o devido desapego e um real propósito nesta peregrinação terrena.

Que assim seja. Amem.

terça-feira, setembro 01, 2015

Seja como for, você Jamais será o mesmo!




Ouço pessoas se referirem à sua opção religiosa como quem escolhe um partido político que mais atende às suas reivindicações, como quem encontra um imóvel que se adapte às suas necessidades, uma filosofia de vida que possa responder suas questões existenciais  ou  trazer  aparente  conforto  para o implacável sofrimento  nas tempestades da vida. Qualquer que seja a característica desta escolha, eu acredito que existe uma grande chance de ainda não ter sido um encontro com Deus.

É certo que um encontro com Deus vai me levar ao próximo. A comunhão é uma consequência natural do encontro com Deus: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (João 17:21).  Mas a comunhão não preconiza fenômenos religiosos, e sim uma transformação perceptível de pessoas como gente, cidadão, e sociedade.

Um encontro com Deus não explica os desígnios aparentemente insuportáveis, não requer sacrifícios, protocolos, nem dogmas; um encontro com Deus, no máximo, vai trazer reverência e deslumbramento. Um encontro com Deus não me livra de nada, e nem sempre me oferece respostas, mas me fortalece e surpreendentemente me faz feliz, apesar das circunstâncias.

Um encontro com Deus é inevitavelmente arrebatador. Geralmente não há como explicar e também muito pouco pra se entender, mas talvez seja como encontrar uma fonte de energia recarregável, como voltar pra casa depois da guerra, como correr para os braços do pai,  como sentir na face o calor do corpo do bebê que acabou de nascer... Tem o poder do colo da mãe quando o machucado está doendo, a sensação da caverna em meio à avalanche, e o sabor  de um copo d’água para o sedento. É a nuvem no deserto do dia, e o clarão do luar no deserto da noite...

Diferente de religião, o encontro com Deus não se discute. Percebe-se. Transforma.

Envelhecer é diferente de apodrecer

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio) Eu, com certeza, seria velha, em qualquer momento. Devo ter na...